Campo e Negócios
Estudo estima prejuízo de R$ 210 milhões à vitivinicultura gaúcha por deriva de herbicidas
por Redação JM
Pela primeira vez, a vitivinicultura do Rio Grande do Sul conta com um estudo que dimensiona os impactos econômicos da deriva de herbicidas hormonais sobre o setor. A pesquisa foi apresentada na quinta-feira, 6, em Dom Pedrito, pelo Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul (Consevitis-RS) e executada por pesquisadores do IFRS Campus Bento Gonçalves, com apoio da Fundação Empresa-Escola de Engenharia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (FEENG).
O levantamento aponta que, entre 2018 e 2025, os impactos econômicos alcançaram R$ 161,6 milhões considerando os casos registrados. A estimativa, no entanto, é de que os prejuízos tenham atingido R$ 210 milhões no período, incluindo perdas de produção, aumento dos custos de manejo e renovação de vinhedos. Mantido o cenário atual, a projeção é de outros R$ 150,1 milhões em perdas nos próximos cinco anos.
A pesquisa analisou mais de 400 ocorrências registradas de deriva no Estado, além de entrevistas com produtores, georreferenciamento dos casos e análises territoriais. Os dados indicam que cerca de 700 hectares de vinhedos foram diretamente afetados, número que pode ser maior devido à subnotificação de ocorrências.
Os registros foram identificados em diferentes regiões produtoras, como Campanha Gaúcha, Região Central, Serra do Sudeste, Campos de Cima da Serra, Planalto, Missões e, de forma pontual, Serra Gaúcha.
O estudo conclui que a deriva de herbicidas hormonais deixou de representar um evento isolado e passou a influenciar decisões relacionadas à renovação de vinhedos, expansão da produção, desenvolvimento de novos produtos, investimentos em enoturismo e projetos de indicação geográfica. Todos os produtores entrevistados informaram ter reduzido ou adiado investimentos em razão da recorrência dos episódios e da incerteza quanto à ocorrência de novos casos.
O trabalho foi desenvolvido no âmbito do Termo de Colaboração FPE nº 4837/2022, firmado entre o Consevitis-RS e a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), sob coordenação dos pesquisadores Shana Sabbado Flores, Leonardo Cury da Silva e Jorge Viel. A pesquisa reúne revisão bibliográfica, registros oficiais, entrevistas e projeções econômicas para mensurar os efeitos da deriva de herbicidas hormonais sobre a cadeia vitivinícola gaúcha.

