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Mundo

Oceano oculto amplia mistério da água em Marte

Em 17/08/2026 às 15:35h

por Redação JM

Vista do planeta Terra e do Sol a partir do planeta Marte

Uma análise dos dados sísmicos da missão InSight revelou indícios de um reservatório de água líquida no interior de Marte. O material não formaria um mar aberto, mas preencheria fraturas e poros de rochas entre 11,5 e 20 quilômetros abaixo da superfície. A notícia circulou amplamente; leitores que acessam https://1xbet.bet.br/pt/casino durante a rotina online também discutiram a descoberta. Se a região estudada representar o restante do planeta, o volume seria suficiente para cobrir Marte com uma camada de água de um a dois quilômetros.

Sismos revelaram o que telescópios não enxergam

A equipe utilizou medições do sismômetro da InSight, ativo em Marte entre 2018 e 2022. Ondas produzidas por tremores e impactos atravessam o planeta em velocidades diferentes conforme a composição das rochas. Ao comparar os sinais com modelos usados no estudo de aquíferos, os pesquisadores indicaram que a explicação compatível era uma camada de rocha ígnea fraturada e saturada por água líquida.

O resultado não significa que uma câmera tenha fotografado o reservatório. É uma inferência geofísica baseada no comportamento das ondas sísmicas num ponto. Medições em outras regiões serão necessárias para descobrir se a camada é extensa ou apenas local.

Um destino possível para os antigos oceanos

Canais secos, deltas e minerais alterados pela água mostram que Marte teve rios, lagos e possivelmente oceanos há bilhões de anos. Quando perdeu sua atmosfera, uma parcela da água escapou para o espaço, enquanto outra ficou presa como gelo ou incorporada aos minerais.

O estudo sustenta uma terceira possibilidade: parte do volume penetrou na crosta e permaneceu líquida graças à pressão e ao calor interno. A hipótese ajuda a explicar por que as reservas visíveis de gelo não correspondem a toda a água que teria existido na superfície.

A descoberta também muda algumas perguntas sobre a evolução do planeta:

  • quanto tempo a infiltração continuou após o resfriamento da superfície;
  • se o reservatório está distribuído por grandes áreas;
  • quais sais e minerais estão dissolvidos na água;
  • se ainda existe circulação entre camadas da crosta;
  • como novas missões poderiam confirmar o modelo.

A profundidade impede qualquer uso imediato

Apesar do volume, o reservatório não resolveria as necessidades de missões humanas. Perfurar mais de dez quilômetros seria difícil até na Terra, onde existem infraestrutura pesada e conhecimento geológico. Em Marte, seria preciso transportar equipamentos, gerar energia e trabalhar sob condições muito mais severas.

Também não se sabe se a água poderia ser extraída sem contaminar as amostras ou alterar um ambiente preservado por bilhões de anos. O valor da descoberta é principalmente científico: ela ajuda a reconstruir o clima antigo e a transformação de um mundo úmido no deserto frio observado hoje.

Um ambiente que pode sustentar vida microscópica

A presença de água líquida amplia o interesse astrobiológico porque organismos terrestres sobrevivem em minas profundas, aquíferos e regiões sem luz solar. Isso não prova que exista vida em Marte, mas identifica um ambiente com uma condição essencial para processos biológicos.

Futuras missões teriam de procurar sinais químicos de atividade, medir temperaturas e determinar a composição do fluido. Também seria necessário separar possíveis evidências marcianas de contaminações levadas por equipamentos terrestres.

A descoberta ainda precisa de confirmação global

Os dados da InSight vieram de uma única área e não provam a existência de um oceano contínuo sob o planeta. A estimativa global depende da hipótese de que a estrutura observada represente a crosta marciana.

Mesmo com essa limitação, o estudo oferece uma explicação consistente para o destino da água antiga. Marte parece seco na superfície, mas seu interior talvez preserve um capítulo líquido de sua história, escondido além do alcance das sondas atuais.

 

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