Urcamp
Urcamp sedia apresentação de projeto voltado à conservação dos peixes-anuais no Pampa
por Melissa Louçan
A Urcamp sediou, na manhã desta quarta-feira, 26, a apresentação do Projeto Peixes-Anuais do Pampa, iniciativa voltada à conservação de espécies ameaçadas e à construção de estratégias de preservação do Bioma Pampa. A atividade ocorreu no auditório da Biblioteca da instituição e reuniu representantes de diferentes setores interessados na conservação ambiental e no desenvolvimento sustentável da região.
Coordenado tecnicamente por Luis Esteban Krause Lanés, o projeto busca ampliar o conhecimento sobre a distribuição dos peixes-anuais no Pampa, compreender a percepção de produtores e demais atores locais sobre os desafios relacionados à conservação e construir estratégias compatíveis com a realidade socioeconômica dos municípios envolvidos. O trabalho integra ações previstas no Plano de Ação Territorial Campanha Sul e Serra do Sudeste, mantido pelo Governo do Estado com recursos do Pró-Espécie.
Durante a apresentação, Lanés destacou que os peixes-anuais estão entre os grupos de fauna mais ameaçados do território. As espécies vivem em pequenas áreas alagadas temporárias, conhecidas como poças ou charcos, que podem secar completamente durante determinados períodos. A distribuição geográfica de algumas espécies também é bastante restrita, o que aumenta a vulnerabilidade diante da alteração ou destruição desses ambientes.
O coordenador chamou atenção ainda para a necessidade de ampliar a percepção sobre a importância ecológica dos campos nativos. Segundo ele, a conservação do Pampa não pode ser associada apenas à proteção de áreas florestais, uma vez que os campos constituem ecossistemas igualmente relevantes para a biodiversidade. Nesse contexto, os peixes-anuais funcionam também como indicadores de ameaças que atingem o território.
Diagnóstico participativo
Uma das principais etapas do projeto é a realização do Diagnóstico Rápido Participativo Territorial (DRPT), metodologia que busca ouvir diferentes segmentos envolvidos com o território antes da definição de estratégias de conservação. A proposta é reunir percepções de produtores rurais, empresas, associações, prefeituras, secretarias, instituições de pesquisa e extensão e outros representantes da comunidade.
A intenção, conforme Lanés, é evitar a adoção de medidas definidas de forma isolada e construir mecanismos de conservação que considerem as características e necessidades de quem vive e trabalha na região. O projeto já realizou atividades em Canguçu e Jaguarão e, em Bagé, encontra um município considerado estratégico pela diversidade de espécies e pela posição dentro do território abrangido pelo plano de ação.
As informações coletadas nos encontros deverão subsidiar um documento final com as principais percepções identificadas e possíveis estratégias para melhorar a conservação das espécies. O material também poderá contribuir para a formulação de políticas públicas e resultar em produção científica e documento técnico.
Integração com a comunidade acadêmica
Para Lanés, a participação da Urcamp é estratégica por se tratar de uma instituição de ensino superior de referência na região. A aproximação com o projeto pode estimular o envolvimento de estudantes, professores e grupos de pesquisa com a biodiversidade do Pampa, além de abrir possibilidades de estágios, formação profissional e futuras oportunidades de atuação na área ambiental.
A proposta também é aproximar o conhecimento produzido pelas instituições da realidade local e formar profissionais capazes de atuar na identificação e conservação das espécies. O projeto é desenvolvido pela Pampiana Construa e Ambiental, em parceria com outras instituições, entre elas o Instituto Pró-Pampa, e conta com recursos vinculados a mecanismos de compensação ambiental, sob gestão e fiscalização da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema).
Compromisso com o Pampa
Representando a gestão da Urcamp, a pró-reitora de Inovação, Pós-Graduação, Pesquisa e Extensão (Proippex), professora doutora Paula Lemos Silveira, destacou a importância da instituição participar de iniciativas que discutam os desafios ambientais da região.
Como instituição comunitária de ensino superior, a Urcamp mantém atuação diretamente relacionada às demandas da Campanha Gaúcha e da Fronteira Oeste, regiões atendidas por seus serviços de ensino, pesquisa e extensão. Nesse contexto, a aproximação com o Projeto Peixes-Anuais do Pampa reforça o compromisso institucional com o desenvolvimento econômico, social, cultural e ecológico do território.
A participação também amplia o debate sobre a conservação da fauna e da flora do Bioma Pampa dentro do ambiente acadêmico, aproximando estudantes e pesquisadores de questões que fazem parte da realidade regional. A Urcamp busca, dessa forma, contribuir para a produção e disseminação de conhecimento e para a construção de alternativas que conciliem desenvolvimento e preservação ambiental.
A atividade realizada em Bagé integra uma série de encontros previstos pelo projeto. A partir das contribuições obtidas nos diferentes municípios, a equipe pretende consolidar um diagnóstico territorial capaz de orientar futuras ações de conservação e fortalecer o diálogo entre comunidade, setor produtivo, poder público e instituições de ensino e pesquisa.

