Região
Hulha Negra prepara reforma de Central de Comercialização para fortalecer produção local
por Melissa Louçan
A entrada de Hulha Negra deve ganhar, nos próximos meses, um novo ponto de referência para a produção da agricultura familiar, da agroindústria e do artesanato regional. O município prepara a reforma e revitalização do prédio que abrigará novamente a Central de Comercialização Sabor da Hulha, espaço que funcionou entre o final dos anos 1990 e o início dos anos 2000 e que agora será retomado com uma proposta ampliada.
A obra está em processo de licitação. Conforme o edital publicado pelo município, a contratação da empresa responsável pelos serviços está prevista para ocorrer no dia 1º de outubro. A previsão é de que os trabalhos tenham duração de aproximadamente 60 dias após o início da execução.
O investimento será de cerca de R$ 600 mil. Desse total, R$ 200 mil são recursos obtidos junto ao governo do Estado e R$ 400 mil correspondem a recursos próprios do município. A intervenção contemplará a recuperação da estrutura do prédio, incluindo melhorias hidráulicas, cobertura, instalações sanitárias e outros pontos que sofreram com a deterioração ao longo dos anos e com furtos registrados no período em que o espaço permaneceu sem utilização.
Conforme explica o prefeito, Fernando Campani, idealizador do projeto, a nova central deverá reunir três frentes principais de comercialização. Uma delas será destinada aos produtos das agroindústrias de Hulha Negra, como queijos, iogurtes e salames. Outra será voltada à produção agrícola in natura, com itens como alface, beterraba, abóbora, melancia, uva e outras frutas e hortaliças, em um sistema de oferta que deverá ser organizado de acordo com os períodos de produção. O terceiro eixo será o artesanato regional, incluindo trabalhos em lã, madeira e tecido.
A estimativa inicial é envolver aproximadamente 35 famílias entre produtores da agroindústria, agricultores e artesãos. Muitos deles já participam de atividades como a Festa do Colono, o que facilita a formação do grupo que deverá integrar a nova estrutura.
Além de funcionar como espaço de venda, a central pretende reforçar a identificação dos produtos locais com a marca Sabor da Hulha. O município destaca que parte da produção agroindustrial conta com inspeção e certificações que permitem ampliar os mercados consumidores. Entre os produtos estão queijos e embutidos que receberam o Selo Arte, certificação que permite a comercialização em todo o território nacional.
“Essa central reúne algumas linhas comerciais. A primeira delas, e talvez a histórica, que realmente deu expressão, foi a produção da agroindústria. Também vamos reunir, de forma diferenciada, o ponto de venda da agricultura, com produtos frescos, e a terceira linha de oferta é o artesanato da região”, explica o prefeito Fernando Campani.
A estrutura interna do prédio será adaptada para a exposição e conservação dos produtos, com equipamentos de refrigeração, gôndolas e espaços de armazenamento. Uma câmara fria já foi instalada e está em funcionamento. A intenção é permitir que produtos de maior perecibilidade permaneçam disponíveis por mais tempo, beneficiando principalmente produtores que dependem de períodos curtos para comercialização.
Um dos exemplos citados pela administração é a produção de uva. Segundo Campani, atualmente a fruta tem uma janela de comercialização de aproximadamente uma semana após a colheita. Com a utilização da câmara fria, esse período poderá chegar a pelo menos 30 dias, ampliando as possibilidades de venda para os produtores.
A central também deverá contar com uma área externa para receber produtos agrícolas que chegam diretamente das propriedades e abastecer tanto consumidores quanto comerciantes interessados em adquirir a produção local. A proposta é que o espaço funcione como um pequeno ponto de distribuição, aproximando os agricultores do mercado varejista.
A revitalização não ficará restrita ao prédio. O município também prepara um projeto arquitetônico para a área frontal, onde deverá ser criada uma área de convivência e recepção. A administração pretende lançar uma chamada pública para buscar empresas interessadas em adotar e apoiar a manutenção do espaço por meio de publicidade. A proposta inclui ainda jardinagem e um painel temático relacionado à história de Hulha Negra, com referências à antiga estação ferroviária, aos colonos, ao trigo e ao trabalho dos agricultores.
A expectativa é concluir o projeto arquitetônico da área externa até o final de outubro. Já a inauguração da Central de Comercialização Sabor da Hulha é projetada para janeiro ou fevereiro de 2027, ainda sem uma data definida, que dependerá do andamento da obra e das demais etapas de implantação.
Para o prefeito, a retomada do espaço representa também uma recuperação de parte da história econômica do município e uma aposta na produção local como estratégia de desenvolvimento.
“É uma paixão que a gente identifica como um processo de desenvolvimento, apostando na agroindústria. A história da gente está ali, o esforço de muitas pessoas, o produtor mesmo, que se organizou para estar ali. Já fizemos isso no passado e estamos resgatando essa dinâmica”, afirma Campani.

