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Projeto & Construção

A Antiga Caieira no olhar dos acadêmicos do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Urcamp

Em 05/09/2026 às 17:43h
Viviane Becker

por Viviane Becker

A Antiga Caieira no olhar dos acadêmicos do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Urcamp | Projeto & Construção | Jornal Minuano | O jornal que Bagé gosta de ler

O Módulo VI – Reciclar,  do curso de Arquitetura e Urbanismo da URCAMP, tem como objeto de estudo a antiga Caieira Bajeense, edificação atualmente pertencente ao Município de Bagé. A atividade propõe o desenvolvimento de um projeto de restauro e intervenção, articulando a prática do projeto arquitetônico aos fundamentos teóricos do restauro e às técnicas retrospectivas, conforme a proposta curricular do Curso de Arquitetura e Urbanismo do CCEA/URCAMP. A disciplina é ministrada pela Prof.ª Dra. Magali Nocchi Collares Gonçalves e conta com o desenvolvimento dos acadêmicos Douglas Echeverria Ritta, Endrew Schmidt Dutra, Erika Victoria Pereira de Rodrigues, Gabriela Oliveira Melo, Giovana Santana Barcellos Schmidt, Giovanna da Silva Portella, Gustavo Miranda Borges, Mauricio da Rosa Schervesnquy, Rafael Oliveira Morales, Ranieri Lemos Molinz e Vinícius Fagundes Nogueira.

Como atividade inicial, foi realizada uma visita ao imóvel, com o objetivo de reconhecer e identificar os elementos que ainda permanecem e estabelecer uma primeira aproximação com suas características espaciais, arquitetônicas e construtivas. Esse contato direto com a edificação constitui uma etapa fundamental para a compreensão de suas condições atuais e para o desenvolvimento dos estudos que serão realizados ao longo do semestre.

A história do imóvel

Construído originalmente em 1902, como residência por Giuseppe Guisolfi, imigrante italiano natural de Tortona. Após o falecimento de sua esposa, em 1916, Guisolfi retornou à sua cidade natal. Posteriormente, seus filhos venderam a residência à família Nocchi, que, em 1928, em sociedade com José Gomes Filho, fundou no local a Caieira Bajeense, considerada, à época, a maior fábrica de cal do Estado do Rio Grande do Sul.

Com o encerramento das atividades da fábrica, em 1970, parte de seus fornos foi demolida. A edificação principal, entretanto, continuou sendo utilizada ao longo das décadas, abrigando diferentes atividades comerciais e de serviços, entre elas a Delegacia de Polícia, a sede da OAB e o Correio do Sul. Em 2018, um incêndio provocou graves danos ao imóvel, que posteriormente permaneceu em estado de ruína e abandono.

Além de sua trajetória histórica, a edificação apresenta características arquitetônicas relevantes para a compreensão do desenvolvimento urbano de Bagé.

Linhas ecléticas

Inserida no Centro Histórico da cidade, possui características vinculadas à arquitetura eclética, linguagem que se consolidou em um conjunto significativo de edificações construídas a partir do início do século XX. Sua permanência, mesmo diante das transformações e dos processos de deterioração ocorridos ao longo do tempo, contribui para a leitura das diferentes fases de ocupação e transformação da cidade.

Teoria e prática

O estudo da antiga Caieira Bajeense proporciona aos acadêmicos o contato direto com uma edificação marcada por diferentes usos, transformações e processos de deterioração. Nesse contexto, o projeto não parte apenas da configuração original do imóvel, mas procura compreender as modificações incorporadas ao longo de sua trajetória e as condições atuais dos elementos remanescentes. Essa leitura constitui uma etapa essencial para fundamentar as decisões de intervenção a serem desenvolvidas no decorrer do semestre.

Ao longo da disciplina, serão realizados estudos e levantamentos que servirão de base para a elaboração do projeto, buscando compreender o imóvel em suas dimensões histórica, arquitetônica e construtiva, bem como os princípios que orientam a preservação do patrimônio cultural. A proposta pretende, dessa forma, aproximar os conhecimentos teóricos discutidos em sala de aula das condições concretas encontradas em uma edificação histórica da própria cidade.

Dimensões histórica e arquitetônica  

Estudar uma edificação como a antiga Caieira Bajeense significa reconhecer as potencialidades do patrimônio existente e compreender a responsabilidade envolvida em qualquer intervenção sobre esses bens. A atividade considera, portanto, o compromisso ético do arquiteto no campo da preservação, tendo como referências a salvaguarda da memória coletiva, o respeito à autenticidade e a valorização dos atributos que conferem significado ao imóvel.

O exercício proposto permite aos estudantes refletirem sobre as escolhas que envolvem o restauro e a adaptação de uma edificação existente, compreendendo que intervir sobre o patrimônio implica lidar com diferentes temporalidades e com aquilo que foi incorporado ao imóvel ao longo de sua história.

Por fim, o exercício proporciona uma aproximação com questões presentes na própria realidade de Bagé, cidade que possui um acervo arquitetônico de significativa relevância.  

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