Saúde
Entre a doença e a esperança: o que é a Síndrome de Guillain-Barré
Caso da bajeense Lívia Borges, que viralizou ao dançar com a mãe durante a recuperação, chama atenção para uma doença neurológica rara
por Miquéli Romero
Um vídeo de Lívia Borges, de 14 anos, dançando com a mãe durante uma internação hospitalar ganhou as redes sociais e já soma milhões de visualizações. Para quem vê a cena, o registro transmite alegria e leveza. Para a adolescente e a família, porém, aqueles passos representam uma conquista depois de semanas marcadas por internações, incertezas e um diagnóstico de Síndrome de Guillain-Barré.
Lívia adoeceu em 14 de julho e foi inicialmente internada na Santa Casa de Bagé. Dois dias depois, foi transferida para o Hospital Universitário de Pelotas, onde recebeu o diagnóstico de Síndrome de Guillain-Barré e cinco doses de imunoglobulina. Após receber alta, iniciou fisioterapia, mas apresentou fortes espasmos e precisou ser novamente hospitalizada.
Em Porto Alegre, passou a receber atendimento especializado e começou a recuperar os movimentos.
O que acontecia com o corpo
A trajetória vivida por Lívia ajuda a entender uma doença que, apesar de rara, pode provocar uma perda rápida de força muscular.
Segundo o neurologista João Bastianello, a Síndrome de Guillain-Barré é uma polirradiculopatia inflamatória aguda. Em termos simples, trata-se de uma resposta inflamatória que compromete estruturas dos nervos periféricos e pode provocar fraqueza progressiva. O quadro costuma surgir após uma infecção viral ou bacteriana e pode evoluir ao longo de dias ou semanas.
Sintomas exigem atenção
Entre os principais sinais estão fraqueza progressiva nas pernas, dificuldade para caminhar ou levantar, formigamento ou perda de sensibilidade nas mãos e nos pés e redução da força nos braços.
Também podem ocorrer fraqueza no rosto, dificuldade para engolir ou falar e falta de ar.
A evolução pode ser rápida. Por isso, diante de uma fraqueza muscular que progride em pouco tempo, especialmente quando acompanhada de dificuldade para caminhar, engolir ou respirar, é necessário procurar atendimento médico imediatamente.
Bastianello destaca, porém, que a evolução é favorável na maioria dos casos. Ainda assim, muitos pacientes precisam de semanas ou meses de fisioterapia para recuperar a força e os movimentos.
Tratamento e recuperação
Entre os tratamentos disponíveis está a imunoglobulina intravenosa, utilizada por Lívia durante a internação. Segundo Bastianello, o medicamento fornece anticorpos ao organismo com o objetivo de interromper o processo inflamatório que atinge as estruturas nervosas.
Outra possibilidade é a plasmaférese, procedimento que realiza uma espécie de filtragem do sangue para retirar elementos envolvidos no processo inflamatório.
Além do tratamento hospitalar, a reabilitação tem papel importante na recuperação dos movimentos. No caso de Lívia, a fisioterapia foi parte fundamental da retomada dos movimentos.
“Sem a fisioterapia eu não teria todo esse avanço com os movimentos”, afirma.
Foi nesse processo que a dança voltou a fazer parte da rotina. No corredor do hospital, entre ensaios discretos com a mãe, Lívia encontrou uma forma de comemorar cada novo movimento conquistado.
“Foi um momento de extrema alegria, muito lindo. Significou a nossa fé, nossas orações bem respondidas. Significou que todo o esforço que a gente fez deu certo”, relata.
Fé para continuar
Depois de quase dois meses entre internações e tratamentos, Lívia recebeu alta em 8 de setembro e segue com recomendação de fisioterapia em casa. Para a adolescente, além do tratamento, a fé foi uma das forças que a ajudaram a atravessar o período de incertezas.
“A fé foi algo que me baseou em todo o tempo, foi algo que não deixou eu desistir”, resume.

