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Região

Estação Férrea do Seival tem projeto de restauração aprovado para captar R$ 802 mil

Proposta prevê recuperação da antiga estrutura, melhorias no entorno e transformação do espaço em equipamento cultural e turístico de uso público

Em 21/09/2026 às 10:56h
Márlon Castro Posqui

por Márlon Castro Posqui

Estação Férrea do Seival tem projeto de restauração aprovado para captar R$ 802 mil | Região | Jornal Minuano | O jornal que Bagé gosta de ler
Foto: Divulgação/Ramiro Kalil Gonçalves

A antiga Estação Férrea do Seival, em Candiota, pode ser restaurada e revitalizada a partir de um projeto aprovado para captação de R$ 802.751,07 pela Lei Federal de Incentivo à Cultura. A proposta prevê a recuperação da edificação histórica, a modernização das instalações, intervenções no entorno e a transformação do espaço em um equipamento cultural e turístico de uso público. O período de captação dos recursos segue até 31 de dezembro.

Elaborado pelo arquiteto Ramiro Kalil Gonçalves, o projeto é resultado de uma parceria público-privada com a Prefeitura de Candiota. Segundo ele, a iniciativa considera a importância histórica da estação e o potencial turístico da região, que reúne vinícolas, olivais, estâncias históricas e empreendimentos ligados ao setor energético. “A proposta surgiu através de uma parceria público-privada com a Prefeitura de Candiota, sendo resultado da confluência de dois fatores principais: o valor histórico e cultural da Estação Férrea, e o cenário atual de desenvolvimento econômico e turístico da região”, afirma Ramiro.

Localizada no Quarto Distrito de Candiota, a estação está inserida em uma área originalmente denominada Vila de Santa Rosa. A localidade também integra o contexto histórico da Batalha de Seival, episódio ligado à formação da identidade regional. A ferrovia teve participação no desenvolvimento econômico da região ao permitir a distribuição de mercadorias produzidas nas estâncias, entre elas o charque.

Para Ramiro, a relevância do imóvel ultrapassa a história local. “A estação impulsionou o desenvolvimento econômico do Estado do Rio Grande do Sul, alavancando os primeiros ciclos industriais, ainda no Brasil Imperial. Com a construção da estação, a localidade transformou-se em um centro de distribuição de mercadorias, tendo como insumo principal, o charque”, destaca.

De acordo com o arquiteto, a edificação apresenta características do estilo eclético de matriz colonial portuguesa, combinadas a elementos da arquitetura ferroviária do século XIX. Por isso, a proposta prevê a preservação e recuperação dos elementos originais das fachadas.

Intervenções

Os R$ 802,7 mil previstos no projeto serão destinados à restauração do prédio e à reciclagem de suas instalações, com a criação de ambientes modernizados para utilização integrada ao patrimônio histórico. Também estão previstas intervenções na área externa, incluindo projeto paisagístico inspirado no Bioma Pampa, implantação de rota acessível para cadeirantes e obras de infraestrutura urbana no entorno imediato.

O projeto também prevê ações durante o período de restauração. As etapas da obra deverão ser registradas e divulgadas, acompanhadas de oficinas e visitas guiadas destinadas a estudantes da rede municipal e de outras instituições de ensino.

Após a entrega do imóvel ao município, a proposta é manter um calendário de atividades culturais e turísticas. “Após a entrega da obra, o novo equipamento cultural será de uso público, podendo suas salas serem utilizadas pelas secretarias municipais e demais interessados, para fins administrativos, culturais, educativos, turísticos e gastronômicos”, explica o arquiteto.

Captação

O projeto já foi aprovado junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado do Rio Grande do Sul (Iphae). A próxima etapa é a captação dos recursos necessários para a execução das intervenções. Além da Lei Federal de Incentivo à Cultura, a proposta está apta a receber aportes por meio da Lei de Incentivo à Cultura do Rio Grande do Sul (LIC-RS). Empresas interessadas poderão contribuir por meio de cotas de patrocínio, sem a necessidade de assumir integralmente o valor previsto.

De acordo com Ramiro, somente após a captação dos recursos será iniciada a execução. A previsão é de que as obras sejam realizadas em aproximadamente oito meses. O projeto possui prazo de execução até o final de 2028.

A proposta também busca envolver empresas e instituições no processo de preservação do patrimônio. Entre as contrapartidas previstas aos patrocinadores estão a divulgação das marcas em materiais do projeto e a participação em ações de comunicação e eventos relacionados à restauração.

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