Segurança
Acusado de matar ex-namorada vai a julgamento nesta quinta-feira em Bagé
por Suélen Delabari
O Tribunal do Júri de Bagé realiza nesta quinta-feira, 24, o julgamento de um homem acusado pelo Ministério Público de matar a ex-namorada, Vitória Ribeiro Gomes, em janeiro de 2024. À época dos fatos, o acusado tinha 22 anos. Ele responde por homicídio qualificado e ocultação de cadáver.
O processo tem como base investigação conduzida pela Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher, a DEAM, de Bagé, e um Auto de Prisão em Flagrante da Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento, a DPPA.
Conforme a denúncia do Ministério Público, o homicídio ocorreu entre a noite de 29 e a madrugada de 30 de janeiro de 2024, na residência do acusado, localizada na Rua Valdomiro Domingues, no bairro São Jorge. Segundo a acusação, havia Medidas Protetivas de Urgência vigentes que proibiam o homem de se aproximar da vítima.
A denúncia aponta que o acusado não aceitava o término do relacionamento e teria tomado conhecimento de que Vitória havia se encontrado com outro homem horas antes. Conforme o documento, a vítima se deslocou até a residência do acusado utilizando um aplicativo de transporte, onde ele a aguardava.
Ainda segundo o Ministério Público, o homem teria utilizado o celular de Vitória para se passar por ela e encaminhar mensagens ao homem com quem ela havia se encontrado, com o objetivo de descobrir o que havia ocorrido durante o encontro.
Na sequência, conforme a acusação, Vitória foi surpreendida pelo ex-namorado e sofreu golpes na região da cabeça. O documento aponta ainda que teria sido utilizado um instrumento corto-contundente e que o acusado teria esganado o pescoço da vítima.
O laudo pericial de necropsia citado na denúncia descreve diversas lesões na cabeça, face, pescoço, tórax, abdômen e membros. A causa da morte indicada no documento é asfixia mecânica por esganadura.
Quatro qualificadoras
O Ministério Público atribui ao homicídio quatro qualificadoras. A primeira é o motivo torpe. Conforme a denúncia, a motivação estaria relacionada à não aceitação do término do relacionamento e a um sentimento de posse e assenhoramento em relação à vítima.
Também são apontados o emprego de asfixia e o uso de recurso que teria dificultado a defesa da vítima. Segundo a acusação, Vitória teria sido surpreendida pelo ataque, o que teria dificultado qualquer reação defensiva ou possibilidade de fuga.
A quarta qualificadora está relacionada ao fato de o crime ter sido cometido contra mulher por razões da condição do sexo feminino. O Ministério Público sustenta que o caso envolveu violência doméstica, além de menosprezo ou discriminação à condição de mulher.
Corpo foi ocultado
Após o homicídio, segundo a denúncia, o acusado teria ocultado o corpo de Vitória em uma área localizada nos fundos da residência. O documento afirma que o cadáver teria sido arrastado para uma região de mato, transposto sobre um córrego e escondido em uma construção abandonada.
O corpo foi localizado na madrugada de 31 de janeiro de 2024 por familiares da vítima.
Ainda conforme a denúncia, na tarde do dia 30 de janeiro, enquanto familiares procuravam por Vitória, o acusado foi localizado. Segundo o Ministério Público, ele empreendeu fuga novamente e acabou preso em flagrante nas proximidades do Ginásio do Militão.
Além do homicídio qualificado, o homem responde pela imputação de ocultação de cadáver. A denúncia foi oferecida pelo Ministério Público em fevereiro de 2024 e encaminhada para apreciação do Tribunal do Júri da Comarca de Bagé.

