Cidade
Moradores de Bagé ainda enfrentam falta de energia após temporal
por Melissa Louçan
Dois dias após o temporal que atingiu Bagé, moradores de diferentes bairros ainda enfrentam interrupções no fornecimento de energia elétrica. Conforme o painel de monitoramento da CEEE Equatorial consultado nesta quarta-feira (23), o município registra 2.074 consumidores afetados, 86 interrupções e 21 equipes em campo, permanecendo classificado no Nível 3 (Crítico) da operação.
A situação ocorre após o forte temporal registrado entre domingo (20) e segunda-feira (21), que provocou quedas de árvores, postes e danos à rede elétrica. Na manhã de segunda-feira, Bagé chegou a registrar mais de 31 mil consumidores afetados.
Entre as ocorrências atuais, a área rural concentra 26 interrupções, atingindo 690 consumidores. Na área urbana, há registros em bairros como Centro, Floresta, Tiaraju, Hípica, São Jorge, Dois Irmãos, Comandante Kramer, Menino Deus, Santa Cecília e General Mallet, entre outros.
Para moradores que permanecem sem fornecimento ou com a rede funcionando parcialmente, os transtornos se estendem para tarefas básicas, conservação de alimentos e trabalho. É o caso de Letícia Menezes Duarte, técnica em segurança do trabalho, moradora do bairro Floresta. Segundo ela, a residência está sem energia desde às 17h de domingo, afetando toda a rotina da família, formada por ela, a filha de sete anos e o pai da criança: “Toda vez que ligamos eles dizem que até tal horário irá deslocar uma equipe, porém nunca vão.”
Letícia conta que alguns alimentos já foram perdidos e que a família precisou se deslocar para a casa da mãe dela para poder tomar banho. “A família dá apoio, mas a rotina da gente vira uma bagunça. Por poucos dias que sejam, quem tem criança sabe a dificuldade.”
A moradora afirma compreender os impactos provocados pelo temporal, mas questiona a demora para solucionar o problema, já que, segundo ela, havia previsão de atendimento ainda no domingo.
No Centro, Tanize Gabrielle Silveira, empreendedora e mãe de duas crianças, de um ano e meio e oito anos, relata que a residência está em “meia fase” desde a noite de domingo. Segundo ela, apenas alguns equipamentos conseguem funcionar, como as luzes e, no máximo, a televisão.
A família consegue preparar algumas refeições, mas a geladeira e o freezer permanecem desligados. Parte dos alimentos que estava refrigerada já precisou ser descartada. Os banhos também estão sendo realizados na casa de familiares. “Banho estamos tomando na casa dos parentes.”
A situação também atinge diretamente quem depende da energia elétrica para trabalhar. Calebe da Fontoura Mendes, morador do bairro São Jorge, vive com outras duas pessoas e mantém na residência um comércio de buffet para eventos.
Segundo ele, a energia foi interrompida por volta das 22h de domingo, após a queda de um poste que atende de três a quatro residências. Até a quarta-feira, conforme o relato, o poste permanecia caído e uma equipe ainda não havia chegado ao trecho em frente à casa. “A gente perdeu tudo que tinha para a produção. E, além de ficar impossibilitado de trabalhar, tudo que a gente tem de elétrico, nada funciona.”
O empreendedor estima em R$ 4 mil a R$ 5 mil o valor dos insumos perdidos. Além disso, um coquetel que seria realizado na terça-feira precisou ser cancelado, enquanto outros eventos previstos para o fim de semana foram desmarcados preventivamente.
Calebe afirma que os contatos com a concessionária resultaram em protocolos de atendimento, mas que, até o momento, não houve solução para o trecho onde fica a residência.
Candiota e Hulha Negra seguem com centenas de consumidores afetados
Em Candiota, 1.720 consumidores ainda era afetados por interrupções no fornecimento de energia elétrica na tarde de quarta-feira (23), conforme o painel da concessionária. O município permanecia no Nível 3 (Crítico) da operação, com 12 interrupções registradas e cinco equipes em campo.
Após reunião com a CEEE Equatorial, o prefeito em exercício, Marcelo Gregório, informou que a previsão para o retorno da energia nas localidades de Vila Operária, São Simão, União, João Emílio, parte do Seival e zona rural era para a noite de quarta-feira. “Isso é uma previsão. Postes ainda precisam ser levantados, recolocados e trocados”, alertou.
Enquanto o serviço não é normalizado, equipes do município trabalham para restabelecer também o abastecimento de água. Geradores foram instalados na Tomada de Água Bruta e na Estação de Tratamento de Água (ETA) da Vila Operária. Outro equipamento está sendo instalado em João Emílio. A expectativa é de que, a partir das 18h, a água volte a chegar às residências das localidades atendidas pelos sistemas.
Em Hulha Negra, são 157 consumidores afetados, com sete interrupções registradas e duas equipes em campo. Assim como Candiota, o município permanece classificado no Nível 3 (Crítico) da operação.

