Segurança
Réu é condenado a mais de 27 anos pela morte de Vitória Ribeiro Gomes
por Suélen Delabari
O Tribunal do Júri de Bagé condenou, nesta quinta-feira, 24, Kévin Plates Gonçalves, 25 anos, pela morte da ex-namorada Vitória Ribeiro Gomes, de 20 anos, ocorrida em janeiro de 2024. Os jurados reconheceram a prática de homicídio qualificado e ocultação de cadáver. A pena total foi fixada em 27 anos e seis meses de reclusão, em regime inicial fechado.
A sentença foi proferida ao final da sessão realizada no Fórum de Bagé. Pelo homicídio qualificado, a pena estabelecida foi de 26 anos e três meses de reclusão. Pela ocultação de cadáver, foram fixados mais um ano e três meses. As penas foram somadas em razão do concurso material.
Na decisão, a magistrada considerou, entre outros fatores, a premeditação apontada no processo, o descumprimento de medida protetiva que estava vigente e as consequências do crime para os familiares da vítima. Também foi considerada a confissão do réu, utilizada para reduzir a pena.
A Justiça ainda fixou indenização mínima de R$ 15 mil à família de Vitória. Conforme informado durante a leitura da sentença, posteriormente será analisada a capacidade do condenado para o pagamento.
Durante o julgamento, Kévin assumiu a autoria da morte. Em seu depoimento, afirmou que não tinha intenção de executar Vitória e relatou ter aplicado um golpe conhecido como mata-leão, que teria causado a morte da vítima. Ele também declarou arrependimento pelo sofrimento causado à própria família.
A defesa pediu aos jurados a retirada das qualificadoras relacionadas ao motivo torpe e ao recurso que teria dificultado a defesa da vítima, além da exclusão da acusação de ocultação de cadáver. A defesa sustentou que o crime teria ocorrido após uma suposta traição e afirmou que o casal mantinha um pacto de fidelidade.
Segundo o processo, Kévin e Vitória mantiveram um relacionamento por cerca de três anos e seis meses. Havia uma medida protetiva de urgência em vigor quando ocorreu o crime. Durante o julgamento, o réu afirmou que os dois ainda haviam se encontrado após o pedido da medida e que teriam concordado em manter os encontros em segredo.
A investigação
A investigação foi conduzida pela Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher, a DEAM, de Bagé, com participação da Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento, a DPPA.
Conforme a denúncia do Ministério Público, o homicídio ocorreu entre a noite de 29 e a madrugada de 30 de janeiro de 2024, na residência do acusado, no bairro São Jorge. A acusação sustentou que Kévin não aceitava o término do relacionamento e teria atraído Vitória para o imóvel após saber que ela havia se encontrado com outro homem.
Durante o julgamento, a inspetora de Polícia Ana Carolina Freitas, ouvida como testemunha, relatou aspectos da investigação. Segundo o depoimento, foram analisadas publicações, comentários e compartilhamentos feitos pelo réu em redes sociais, incluindo conteúdos relacionados ao uso de armas e à execução de crimes em situações de traição. A policial classificou o caso, segundo seu relato, como uma “tragédia anunciada”.
Família acompanhou julgamento
Familiares de Vitória estiveram presentes no Fórum de Bagé durante o julgamento. Vestindo camisetas com o nome e foto da jovem, eles acompanharam a sessão e pediram justiça.
Foi a própria família que, segundo o processo, localizou o corpo de Vitória durante as buscas realizadas após o desaparecimento.
Com a condenação, Kévin deverá cumprir a pena de 27 anos e seis meses de reclusão. Ao final da sentença, a magistrada informou que a defesa poderá recorrer da decisão.

