Região
Farmácia Literária usa livros e palavras como ponto de partida para reflexão sobre saúde mental em Aceguá
por Melissa Louçan
Uma farmácia onde, em vez de medicamentos, os estudantes encontram livros para diferentes momentos da vida. Essa foi a proposta da Farmácia Literária realizada nesta quinta-feira (25), na Escola Nossa Senhora das Graças, em Aceguá. Desenvolvida com alunos do 6º ao 9º ano, a atividade integrou as ações alusivas ao Setembro Amarelo e buscou aproximar a literatura de temas relacionados ao acolhimento, aos sentimentos e ao cuidado com a saúde mental.
O projeto foi desenvolvido nas aulas de Língua Portuguesa pelas professoras Alana Nunes e Marina Nobre, com apoio da gestão escolar. Ao longo das últimas semanas, os estudantes tiveram contato com diferentes textos e livros e produziram materiais que foram apresentados durante a atividade, montada no saguão da escola.
Entre os trabalhos estavam “remédios literários”, prescrições e bulas literárias, além de indicações de livros relacionadas a diferentes sentimentos e situações. Havia, por exemplo, sugestões de leituras para quem precisava de coragem, queria falar sobre o que sente ou estava se sentindo sozinho. A proposta era transformar a leitura em uma possibilidade de reflexão sobre aquilo que cada pessoa vivencia.
“A proposta visa aproximar os estudantes da literatura pelo viés do acolhimento. Proporcionar uma reflexão sobre a importância da leitura, das palavras e das histórias, visto que estas nos ajudam a elaborar sentimentos, pensamentos e até mesmo aquilo que não conseguimos nomear”, explica a professora Alana Nunes.
A programação teve início com uma conversa conduzida pela psicóloga Fernanda Araújo, que abordou questões relacionadas à saúde mental e ao Setembro Amarelo. Depois, os estudantes puderam visitar a Farmácia Literária e conhecer as produções dos colegas. A participação foi voluntária.
Segundo Alana, a atividade não teve como objetivo diagnosticar sentimentos ou substituir o acompanhamento de profissionais, mas oferecer a literatura como um ponto de partida para a reflexão e o autocuidado. Para ela, o contato com diferentes histórias também pode contribuir para o desenvolvimento dos estudantes. “Ao entrar em contato com diferentes histórias e perspectivas, o estudante desenvolve empatia, imaginação, sensibilidade e diversas habilidades linguísticas. Então, não é uma experiência isolada, mas um lugar de encontro consigo e com o outro”, afirma.
A iniciativa faz parte de um trabalho de incentivo à leitura que já é desenvolvido de forma permanente pela escola. A intenção é que a proposta não fique restrita ao período do Setembro Amarelo, mas continue ao longo do ano, com novas leituras, temas e experiências literárias.
Além das atividades realizadas em sala de aula e da Farmácia Literária, a escola prevê ainda o lançamento de um novo livro produzido pelos alunos para novembro. A expectativa é ampliar o contato dos estudantes com a literatura e mostrar que a leitura também pode ocupar um espaço de reflexão sobre as próprias experiências e sobre a relação com o outro.

