Região
Região acumula mais de R$ 790 milhões em prejuízos com desastres naturais em cinco anos
por Redação JM
Estiagens, vendavais, enxurradas, granizo e chuvas intensas estão entre os nove desastres climatológicos, meteorológicos ou hidrológicos registrados por Bagé, entre 2020 e 2025, de acordo com dados do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional – pasta responsável pela homologação de decretos de situação de emergência.
O levantamento oficial estima em mais de R$ 279 milhões os prejuízos e danos materiais contabilizados pelo município em cinco anos. No mesmo período, Aceguá, Candiota, Bagé e Hulha Negra, contabilizaram milhões em prejuízos.
Em Bagé, as estatísticas do Ministério calculam em R$ 26 milhões os danos materiais no período, fixando em R$ 234,6 milhões os prejuízos privados e R$ 19,7 milhões os prejuízos públicos. O levantamento também aponta o registro de desabrigados na maior cidade da Campanha gaúcha. A estiagem e a seca causaram os maiores danos humanos, enquanto as enxurradas respondem pela maioria das perdas financeiras. Os prejuízos com a ocorrência do granizo, no ano passado, foram estimados em R$ 184.1 milhões no setor privado.
Entre os prejuízos públicos, os gastos com transporte alcançou R$ 14,7 milhões. Outros R$ 700 mil foram gastos com abastecimento de água. Os prejuízos com esgotamento sanitário representaram R$ 400 mil no período.
Entre os prejuízos privados, o maior impacto foi sentido na agricultura, com R$ 227,5 milhões em perdas. Na pecuária, no mesmo período, de acordo com dados do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, o prejuízo foi de R$ 137,2 milhões, em Bagé.
Mais de 25 ocorrências climáticas em três cidades
Pelo menos 25 ocorrências de desastres climatológicos, meteorológicos ou hidrológicos foram registrados em outros três municípios da região. Em Aceguá, foram contabilizadas quatro ocorrências.
De acordo com levantamento do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, foram registrados, entre 2020 e 2025, cerca de R$ 200 milhões em prejuízos privados. As perdas na agricultura totalizaram R$ 152 milhões, ultrapassando R$ 55 milhões na pecuária.
Em Candiota foram registrados 10 eventos climáticos em cinco anos. Com danos materiais de R$ 3 milhões, R$ 127,7 milhões em prejuízos privados e mais R$ 2 milhões prejuízos públicos. Os prejuízos na agricultura de Candiota alcançaram R$ 123 milhões, totalizando R$ 3,9 milhões na pecuária.
Em Hulha Negra, foram contabilizados 11 registros de desastres climáticos no período. Os prejuízos alcançaram R$ 19 milhões na pecuária e R$ 118,6 na agricultura. Relatório do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional aponta R$ 71 milhões em prejuízos públicos e R$ 136 milhões em prejuízos privados entre 2020 e 2025. A estiagem é o principal motivo dos prejuízos no município.
Insegurança hídrica
A ocorrência de estiagens representam representa a principal motivação dos decretos de emergência entre os municípios da região. A condição levou a elaboração de uma proposta de lei, articulada pelo prefeito de Hulha Negra, Fernando Campani, que tramita na Câmara dos Deputados.
O projeto basicamente reconhece oficialmente a situação de insegurança hídrica na Metade Sul do Rio Grande do Sul e cria um programa federal voltado à ampliação da infraestrutura de abastecimento e armazenamento de água na região. A proposta está pronta para ser votada na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural.
O conceito de insegurança hídrica está relacionado à ausência das condições necessárias para assegurar água em quantidade e qualidade adequadas. Conforme a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (Ana), existe segurança hídrica quando há disponibilidade de água suficiente para atender às necessidades humanas, às atividades econômicas e à conservação dos ecossistemas, com níveis aceitáveis de risco diante de secas e cheias. A insegurança hídrica ocorre quando essas condições não estão garantidas, comprometendo o abastecimento, a produção e a resiliência das comunidades diante de eventos climáticos extremos.
Entre os públicos prioritários da proposição estão agricultores familiares, pequenos e médios produtores rurais, comunidades tradicionais, populações rurais e periurbanas vulneráveis e municípios com insuficiência de abastecimento. O programa também prevê prioridade para famílias com crianças, idosos, pessoas com deficiência e famílias monoparentais.
As ações previstas incluem apoio à implantação e recuperação de açudes, reservatórios e cisternas, sistemas de tratamento e distribuição de água, incentivo ao uso eficiente dos recursos hídricos na agropecuária, assistência técnica, pesquisa aplicada, inovação tecnológica e medidas de conservação ambiental voltadas à proteção de áreas de recarga hídrica.

