Região
Falta de energia em Bagé e região se prolonga e afeta famílias e produtores
Famílias relatam perdas de alimentos, gastos com geradores e dificuldades para manter medicamentos refrigerados após o temporal
por Márlon Castro Posqui
A tempestade que atingiu a região no domingo, 20 de setembro, deixou um rastro de destruição e prejuízos que ainda são sentidos pelos moradores da Campanha gaúcha. Entre os principais problemas está a falta de energia elétrica. Em Bagé e municípios da região, famílias permanecem há mais de dez dias sem luz, enfrentando dificuldades na rotina e perdas provocadas pela demora no restabelecimento do serviço.
Na zona rural de Bagé, Clenita Costa, de 43 anos, está sem energia elétrica desde o temporal de 20 de setembro. A situação preocupa especialmente a família porque a mãe de Clenita utiliza insulina, medicamento que precisa ser mantido sob refrigeração.
Sem luz em casa, a família improvisou um cooler para conservar o medicamento. Com a continuidade da interrupção, a mãe de Clenita precisou ir para a casa de outro filho, onde consegue receber os cuidados necessários e manter a insulina armazenada de forma adequada. Segundo a moradora, os contatos com a Equatorial não resultaram em uma previsão para o retorno do serviço.
Clenita relata que o temporal atingiu a localidade com forte intensidade. Postes e árvores foram derrubados, enquanto o galpão da propriedade teve o telhado completamente arrancado pelo vento.
Situação semelhante é enfrentada por Paulo Sérgio Peres, de 42 anos, morador do Segundo Distrito de Lavras do Sul. Ele também completa 11 dias sem fornecimento. Durante esse período, perdeu alimentos, principalmente carnes e outros produtos que dependiam de refrigeração.
Para manter parte da casa funcionando, Paulo utiliza um gerador movido a gasolina. O equipamento, porém, permanece ligado por cerca de três horas por dia devido ao custo do combustível. Segundo ele, a longa interrupção não é um episódio isolado. Há cerca de um mês, depois de outra tempestade, a localidade também ficou 11 dias sem energia.
A situação não se restringe apenas à zona rural. Em Bagé, moradores da rua Rui Bianculi Galo, no bairro Mascarenhas, estão sem energia elétrica há mais de dez dias. Isabel Gomes, 61, vive no bairro há 40 anos e afirma nunca ter enfrentado uma interrupção tão longa. Em frente à casa dela, um poste permanece suspenso apenas pelos fios que estão energizados. Isabel conta que entra em contato diariamente com a Equatorial, mas ainda não recebeu uma resposta definitiva sobre o restabelecimento do serviço.
Ela descreve a situação como indigna. Além da perda de alimentos, a falta de energia alterou tarefas básicas da rotina, como o banho, que passou a ser feito com caneca. Segundo a moradora, uma equipe da concessionária chegou a ir até o local e alertou os moradores sobre o risco provocado pelos fios. Apesar disso o problema não foi solucionado.
Mobilizações fazem parte do dia a dia na região
A demora no restabelecimento do serviço também levou moradores de diferentes municípios a organizarem protestos. Em Candiota, a comunidade bloqueou, na semana passada, a estrada Miguel Arlindo Câmara (MAC), cobrando uma resposta da concessionária. Na terça-feira, 29, uma nova mobilização ocorreu no bairro João Emílio.
Os protestos reuniram principalmente moradores e produtores rurais afetados pela interrupção. Entre os relatos estavam perdas de carne e leite, dificuldades no abastecimento de água e gastos elevados para manter geradores funcionando nas propriedades.
Nesta quarta-feira, 30, moradores de Pinheiro Machado e Pedras Altas também realizaram uma manifestação. O protesto ocorreu no trevo de acesso a Pinheiro Machado, na BR-293, e reuniu famílias e produtores que ainda aguardavam a normalização do fornecimento.
Nas áreas rurais, os impactos atingem diretamente a produção. Entre os mais afetados estão produtores de leite, que dependem de energia para a refrigeração. A interrupção também compromete a conservação de alimentos e medicamentos e dificulta o acesso à telefonia e à internet.
Equatorial informa que 99,8% dos clientes tiveram serviço restabelecido
De acordo com a CEEE Equatorial, 99,8% dos consumidores afetados pelo temporal já tiveram o fornecimento restabelecido. Cerca de dois mil clientes ainda permanecem sem energia.
A companhia informou que mais de 500 equipes seguem mobilizadas nos atendimentos. Segundo a distribuidora, parte das ocorrências restantes envolve trechos da rede severamente danificados e estruturas de alta tensão, o que exige reparos de maior complexidade, equipes especializadas e materiais específicos.
Em nota, a CEEE Equatorial lamentou os transtornos provocados pela interrupção e afirmou que trabalha para concluir os atendimentos. A empresa também informou que mantém investimentos na rede elétrica voltados à segurança e à capacidade de resposta diante de eventos climáticos severos.

