Eleições 2026
Mais de mil mesários garantem funcionamento das 274 seções eleitorais
por Melissa Louçan
Por trás dos 274 locais de votação de Bagé, uma estrutura formada por mais de mil mesários foi responsável por garantir que a votação transcorresse normalmente no domingo (4). Antes mesmo da chegada dos primeiros eleitores, esses trabalhadores já estavam nas seções para organizar os procedimentos, conferir os equipamentos e preparar o atendimento ao longo do dia.
Do total de 1.089 convocados no município, 756 não se inscreveram voluntariamente para a função. As mulheres foram maioria: 726, contra 363 homens. Também foram convocadas seis pessoas com deficiência. O número de mesários deste ano ficou acima do registrado em 2018, quando foram 1.071, e abaixo de 2022, que teve 1.094.
Apesar de faltas pontuais, todas as seções iniciaram a votação normalmente, segundo informações do cartório eleitoral. Em alguns casos, houve necessidade de remanejamento de mesários. A situação ocorreu, inclusive, com pessoas que haviam sido convocadas por WhatsApp, mas não confirmaram o recebimento da convocação.
Como não havia confirmação, esses mesários foram substituídos previamente. Alguns, no entanto, compareceram espontaneamente no domingo para trabalhar. Como suas vagas originais já estavam ocupadas, foram encaminhados para outras seções onde havia registro de ausência.
De acordo com o cartório, as faltas não comprometeram o funcionamento das mesas. O máximo registrado foi de duas ausências em uma mesma seção, e os remanejamentos permitiram manter o atendimento aos eleitores durante a votação.
Meio século em meio às urnas
Entre os mesários que participaram da eleição em Bagé está Flávio Tadeu Valério Costa, de 68 anos. Ferroviário aposentado, ele completou neste ano cinco décadas de participação voluntária nas eleições.
A relação com o processo eleitoral começou aos 18 anos, ainda durante o regime militar. Filho de militar, Flávio conta que desde criança observava o trabalho realizado nas eleições e sonhava em participar. Assim que tirou o título de eleitor, procurou a Justiça Eleitoral.
“Eu sonhava desde criança e gostava, adorava de ver as pessoas trabalhando na eleição. E eu dizia: um dia eu vou trabalhar. E quando fiz 18 anos, tirei meu título e a primeira coisa que eu fiz foi correr para trabalhar.”
As primeiras experiências foram no escrutínio, acompanhando a contagem dos votos. Depois, passou a atuar nas seções eleitorais e percorreu diferentes bairros de Bagé ao longo das décadas.
Para Flávio, a decisão de participar também esteve ligada ao momento político que o país atravessava. Filho de militar e tendo vivido a ditadura, ele associa a atuação voluntária ao desejo de contribuir para a liberdade e para a democracia. “Sou filho de militar e vivi a ditadura militar. Mas a gente é cidadãos também, queria liberdade, né? O que a gente chama hoje de liberdade.”
Aos 68 anos, Flávio não pensa em encerrar a participação. A meta, diz, é chegar aos 80 anos atuando nas eleições, desde que tenha saúde. Ao longo da trajetória, a dedicação também foi reconhecida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que lhe enviou uma camiseta de Brasília quando completou 48 anos de atuação. “Foi uma emoção muito grande”, lembra.
Depois de cinco décadas, ele ainda espera que a experiência seja seguida por novas gerações. “Eu não quero ser o único. Quero que alguém siga o meu exemplo.”

