Cidade
Mobilização nas ruas marca retomada do movimento estudantil em Bagé
Ato reuniu estudantes de diferentes instituições em defesa da democracia e dos direitos estudantis; nova manifestação está prevista para domingo
por Érica Alvarenga
Por Érica Alvarenga, acadêmica de jornalismo
O grito de “Nas ruas, nas praças, quem disse que sumiu? Aqui está presente o movimento estudantil” ecoou durante a manifestação realizada no domingo (11), em Bagé. Mais do que uma palavra de ordem, a frase expressou o significado da mobilização para estudantes de diferentes instituições de ensino, que voltaram a ocupar os espaços públicos para defender a democracia e os direitos estudantis.
Organizado pelo Movimento Estudantil: Democracia Sempre (MEDS), o ato reuniu acadêmicos da Unipampa, Urcamp, Uergs, IFSul e de outras instituições, além de professores e trabalhadores. A manifestação foi precedida por uma assembleia realizada na sexta-feira (9), na Unipampa, quando representantes estudantis se encontraram para discutir pautas, compartilhar demandas e organizar a mobilização.
A articulação entre estudantes de diferentes realidades marcou a construção do movimento. Durante os encontros e a manifestação, a colaboração entre os participantes demonstrou a disposição de construir uma atuação coletiva, mesmo diante dos desafios que envolvem a organização estudantil.
Para Erykah Rodrigues, socióloga e mestranda em Ensino, uma das organizadoras do MEDS, a retomada não pode ser compreendida apenas como uma reação ao cenário político atual. A mobilização também representa uma possibilidade de reorganização coletiva após um período de menor articulação do movimento estudantil na cidade.
“Não podemos encarar a manifestação como um acidente da história, mas sim, como uma possibilidade de organização coletiva de se reerguer depois de muitos anos desmobilizadas”, avalia.
Erykah também destaca que compreender o movimento estudantil exige olhar para a diversidade de pessoas que compõem esse espaço. Estudantes negros, pessoas LGBTQIA+, trabalhadores e pessoas que conciliam a formação acadêmica com responsabilidades familiares, entre outros grupos, compartilham demandas que ultrapassam os limites das salas de aula.
Nesse sentido, a mobilização coletiva permite aproximar experiências distintas e construir espaços de participação a partir de necessidades comuns. Para a socióloga, a articulação entre diferentes grupos não deve se limitar à reunião de pessoas em um ato, mas contribuir para a construção de vínculos e formas permanentes de organização.
Para além de uma manifestação
A realização do ato também levanta uma questão sobre o futuro do movimento estudantil em Bagé: como transformar a mobilização em uma organização capaz de permanecer ativa no cotidiano dos estudantes?
Na avaliação de Erykah, um dos desafios é evitar que a participação coletiva se restrinja a acontecimentos específicos. A continuidade depende da construção de vínculos nos espaços frequentados pelos estudantes e da possibilidade de participação ativa nas decisões e nas ações do movimento.
“É o Movimento Social a base de efervescência primordial para a sustentação de qualquer projeto político que almeja a transformação social”, afirma.
A reflexão aponta para a importância de uma organização que não dependa exclusivamente de momentos de maior mobilização, mas que encontre formas de manter o diálogo entre os participantes e de ampliar a participação estudantil ao longo do tempo.
A assembleia realizada na sexta-feira foi um passo nesse sentido, ao reunir representantes de diferentes instituições para compartilhar perspectivas e planejar ações. O encontro permitiu estabelecer um espaço de diálogo entre estudantes que, embora vivenciem realidades acadêmicas distintas, encontram pautas em comum.
A força da organização coletiva
A retomada do movimento estudantil também evidencia a importância de os próprios estudantes participarem da construção dos espaços que representam suas demandas. A presença de acadêmicos de diferentes instituições nas etapas de organização e no ato de domingo demonstrou a disposição de colaborar, compartilhar responsabilidades e ocupar as ruas coletivamente.
A participação de estudantes com trajetórias distintas e a determinação demonstrada durante o ato evidenciaram a força dessa articulação. A experiência também destacou o papel da organização coletiva como instrumento de expressão e participação social.
O grito que marcou a manifestação sintetizou esse sentimento de retomada. Ao reivindicar a presença do movimento estudantil nas ruas e nas praças, os participantes também chamaram a atenção para a importância de recuperar espaços de encontro, diálogo e atuação conjunta.
A mobilização terá continuidade neste domingo, 18, com concentração às 14h, na Praça Carlos Gomes, ao lado da escola Silveira Martins, e caminhada em direção à Praça de Esportes. No local, os participantes pretendem promover uma manifestação cultural, com apresentações artísticas, distribuição de materiais e diálogo com a comunidade, incluindo estudantes e trabalhadores da cultura, dando sequência à articulação coletiva em defesa da democracia e dos direitos estudantis.

