Saúde
Congrega 2026: Mário Mena Kalil destaca diagnóstico precoce e avanços no tratamento do câncer de mama
por Viviane Becker
O diagnóstico precoce do câncer de mama, a ampliação do acesso aos exames e os avanços no tratamento oncológico em Bagé estiveram entre os principais temas abordados pelo ginecologista e mastologista Mário Mena Kalil durante palestra realizada no Congrega 2026 e da 23ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, que aconteceram de 26 a 30 de outubro na Urcamp.
Com o tema Conexão Rosa: tecnologias e diagnósticos no câncer de mama, o médico compartilhou sua experiência profissional e destacou a importância de fortalecer as estratégias de prevenção e ampliar as oportunidades de diagnóstico para a população.
Mena destacou que a mamografia continua sendo a principal ferramenta para a detecção precoce da doença e defendeu o acesso regular ao exame como parte fundamental do cuidado com a saúde da mulher.
O médico enfatizou a importância de procurar atendimento mesmo na ausência de sintomas, alertando que esperar pelo aparecimento de um nódulo pode atrasar o diagnóstico. Também explicou que a mamografia pode identificar alterações que ainda não são perceptíveis ao toque, incluindo microcalcificações que exigem investigação complementar.
Diagnóstico precoce amplia as possibilidades de tratamento
“A identificação da doença em estágio inicial aumenta significativamente as chances de sucesso no tratamento. Pacientes diagnosticadas precocemente podem alcançar índices de cura de até 95%, dependendo das características e do estágio do tumor”, reforçou.
Salientou o risco de desenvolvimento do câncer de mama, como obesidade, sedentarismo, consumo de álcool e exposição hormonal ao longo da vida. “A predisposição genética merece atenção em situações específicas, especialmente quando há histórico familiar de câncer de mama em idade jovem, ocorrência bilateral da doença ou associação com câncer de ovário”, alertou.
Mobilização pela oncologia
A história da estrutura oncológica de Bagé também teve destaque na apresentação. Mena relembrou as primeiras campanhas de atendimento à saúde da mama realizadas na cidade, quando a oferta de exames era limitada. “Em uma das primeiras mobilizações, cerca de 850 mulheres foram atendidas em um único dia, evidenciando a demanda existente e a dificuldade de acesso aos serviços”, relembrou.
A partir dessa experiência, o médico passou a atuar na articulação com gestores públicos e outras lideranças para ampliar a oferta de exames e viabilizar a estrutura de atendimento oncológico no município. Atualmente pacientes encaminhadas pela rede municipal realizam a investigação diagnóstica e, quando necessário, prosseguem com cirurgia e tratamentos oncológicos aqui.
Diagnóstico e tecnologia
A mamografia permanece como ferramenta central, mas pode precisar de complementação com ultrassonografia ou, se necessário, ressonância magnética. O especialista também chamou a atenção para mamas densas, nas quais algumas alterações podem ser mais difíceis de visualizar.
Durante o espaço destinado às perguntas, foram discutidas dúvidas sobre próteses mamárias, calcificações identificadas em exames, ocorrência da doença em mulheres jovens, testes genéticos e reposição hormonal.
Legenda: Médico ressaltou que pacientes diagnosticadas precocemente podem alcançar índices de cura de até 95%

