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Borges e José Octávio versus Carlos Teles

Em 27/06/2026 às 09:30h, por José Carlos Teixeira Giorgis

Em artigos anteriores tive a pretensão de narrar episódios da vida do General Carlos Maria da Silva Teles, nascido em Porto Alegre em 7 de setembro de 1848, praça em 1865, de onde seguiu para a frente paraguaia onde se encontravam os irmãos mais velhos. 

Fez toda a campanha do Paraguai, voltando como tenente. Em 1874 participou da expedição final contra os Mucker, em Sapiranga, RS. Ao tempo da Revolução Federalista, já coronel, comandava a guarnição de Bagé, “quando resistiu bravamente ao cerco da cidade (29.11.1893 a 8 de janeiro de 1894) ”.

 Segundo ainda Sérgio da Costa Franco, em abril de 1874 atacou pela retaguarda as forças federalistas que assaltavam a cidade de Rio Grande, levando-as à completa derrota. Entretanto após a guerra civil, atritou-se com Júlio de Castilhos e o Partido Republicano. Em Canudos, na Bahia, em 1897, teve papel saliente nas forças do general Cláudio Savaget e foi ferido em combate. Segundo ainda Franco, Euclides da Cunha, em “Os Sertões” qualificou-o como “a mais inteiriça organização militar do nosso exército nos últimos tempos”, tendo-o comparado a Osório e Andrade Neves. 

Depois de intervir no Combate da Armada, onde foi ferido quando comandava a Brigada do Rio de Janeiro, veio para Bagé, onde morreu em 7 de setembro de 1897 e aqui sepultado. 

Detalhes outros de sua existência constam de artigo publicado neste jornal por Dione Franchi. Herói do Cerco de Bagé, um busto dele habitou a Praça da Matriz. Embora herói militar vitorioso nas refregas mais complicadas foi desonrado pela sanha criminosa de alguém ou alguns que conspurcaram sua efígie em bronze, tendo sido recolhido pela Prefeitura, assim como as placas de homenagem às personagens do Século anterior. 

Afirmou-se que Carlos Teles, depois de sua reforma, entrou em desacordo com os republicanos de Júlio de Castilhos e depois com Borges de Medeiros.

Sabendo do interesse o talentoso e estimado historiador Cláudio Lemieszek referiu haver em seu precioso acervo documental, uma carta de Borges de Medeiros para José Octávio Gonçalves, arquivada no Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul. Ali há um “Fundo Borges de Medeiros”, onde Sérgio da Costa Franco, com seu peculiar cuidado de grande pesquisador, organizou a coleção de cartas de Borges, dirigidas a diversas personalidades e políticos. Nela constam as missivas que Borges dirigiu aos companheiros do partido republicano em Bagé, especialmente a Gonçalves e Tupy Silveira. 

Saliento aqui uma delas dirigida a José Octávio, primeiro intendente eleito depois da Proclamação da República, nascido aqui em 22 de novembro de 1988 e casado com dona Maria Carolina Netto Gonçalves, que foi sem dúvida, um dos melhores administradores de Bagé. E que, em 1899, recebe uma mensagem de Borges de Medeiros, assim vazada.

 

“Palácio do Governo em Porto Alegre, 15 de março de 1899.

Confidencial       

Ilustre amigo sr. José Caetano Gonçalves:

Como sabeis, o governo federal, apoz muito tempo de hesitações,deliberou permitir que Carlos Telles venha a Bagé buscar a Família, constando que não terá Ele mais comissão alguma no Estado. Anunciam os jornaes ter esse general embarcado Hontem no Rio, a bordo do paquete “Santos. ” É de máxima conveniencia, quando ele ahi chegar, trazer de perto observador seus passos e palavras, atendendoa que é em termo de sua pessoa que se reúnem actualmente todos os adversários confessos da Republica e da situação politica dominante no Rio Grande.

Deveis colocar a par d’esse desordeiro fardado pessoa hábil, criteriosa, que não desperte suspeitas e possa com segurança informar-nos dos intuitos d’esse e outros contumazes perturbadores.

 Estamos sempre alerta contra eles, mas bem comprehendeis que a nossa ação muito e facilitará si lograrmos conhecer os designios com que vem Telles ou os que adaptá-la por efeito da exploração dos parceiros elementos que o cercam. Conto muito com a vossa actividade exemplar e espero me envieis exposição completa de tudo que ocorrer. Aproveito a oportunidade para recomendar-vos o telegraphista J. Thomaz Ramos, que é dedicado amigo nosso.  Sou, com elevado apreço.

Borges de Medeiros. 

Lamentavelmente, sendo mais longa a carta de José Octávio, devo transferir seu conteúdo para a próxima edição, tal como o Avenida fazia, nas matinês de domingo, deixando a gurizada “atada” até a semana seguinte, no instante que Nyoca caia de um penhasco, ensejando que o “pessoal da zona” se abrigasse, depois das aulas do Ginásio, na porta do consultório do Dr. Camilo, deduzindo mil soluções para o salvamento da heroína (continua).

Agradeço à paleóloga Carine Medeiros Trindade, do Memorial do Judiciário, a transcrição da mensagem de Borges de Medeiros acima posta. 

 

 

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