Saúde
Cardiologista bajeense explica mudanças no tratamento da pressão arterial
Júlio Vargas Neto explicou nova diretriz, que classifica 12 por 8 como pré-hipertensão e reforça medidas preventivas
por Redação JM
O 80º Congresso Brasileiro de Cardiologia, realizado em setembro em São Paulo, trouxe mudanças significativas no tratamento da hipertensão arterial. Entre elas, a mais comentada: a pressão 12 por 8 deixou de ser considerada normal e passou a ser classificada como pré-hipertensão.
A atualização faz parte da Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial 2025, documento elaborado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia, pela Sociedade Brasileira de Nefrologia e pela Sociedade Brasileira de Hipertensão. O objetivo é identificar precocemente indivíduos em risco e estimular intervenções preventivas, não medicamentosas, para evitar que a pressão evolua para níveis de hipertensão.
De acordo com a nova diretriz, somente os valores abaixo de 12 por 8 são considerados normais. A partir de 14 por 9, mantém-se a classificação de hipertensão nos estágios 1, 2 ou 3, conforme a aferição feita pelo profissional de saúde.
Preocupação e prevenção
O cardiologista bajeense Júlio Vargas Neto, membro efetivo da Sociedade Brasileira de Cardiologia e representante regional da Sociedade de Cardiologia do Rio Grande do Sul, participou do congresso e destacou a relevância da mudança. "As metas ficaram mais restritivas, orientando que os pacientes comecem a se cuidar um pouco antes de receber o diagnóstico de pressão alta. Entre 12 por 8 e 14 por 9, o paciente já é classificado como pré-hipertenso, e isso exige uma série de orientações para tentar corrigir a alteração e até prevenir que no futuro ele se torne hipertenso", explicou.
Para Vargas, a decisão pode gerar angústia em alguns pacientes, mas deve ser entendida como um alerta. "O diagnóstico precoce é uma oportunidade de mudança de hábitos. O foco não está na medicação nesse estágio, mas sim em medidas de vida saudável", reforça.
O que muda na rotina
O cardiologista explica que os cuidados iniciais passam por manter uma alimentação equilibrada, com menos sal, controlar o peso, praticar atividades físicas e cuidar do estresse. "Esses hábitos ajudam não apenas na pressão, mas também na prevenção de outras doenças. É fundamental que os pacientes conversem com seus médicos e façam acompanhamento regular para identificar alterações e agir de forma correta", orienta.
Nas redes sociais, a Sociedade Brasileira de Cardiologia avaliou o novo documento como fundamental para a prática médica no país. “Atualização essencial para quem busca fazer medicina baseada em evidências e alinhada às recomendações mais recentes”, publicou a entidade.
A mudança, portanto, não significa que milhões de brasileiros receberam automaticamente o diagnóstico de hipertensão, mas indica uma maior vigilância sobre o estágio intermediário, antes considerado normal. O entendimento é que agir nessa fase pode reduzir de forma significativa a incidência da hipertensão e de complicações cardiovasculares no futuro.

