Saúde
Bagé vai descentralizar pré-natal para enfrentar alta mortalidade infantil
Prefeitura quer repetir resultado de 2008, quando mortalidade infantil caiu pela metade
por Redação JM
A Prefeitura de Bagé anunciou, na quinta-feira (2), uma série de medidas voltadas ao fortalecimento da atenção básica e à redução da mortalidade infantil no município. A principal estratégia é a descentralização do acompanhamento pré-natal, que passará a ser realizado em todas as unidades da rede básica de saúde, aproximando o atendimento das gestantes.
O lançamento ocorreu no Palacete Pedro Osório, durante evento que reuniu profissionais da rede, autoridades locais, representantes da 7ª Coordenadoria Regional de Saúde e do Conselho Municipal de Saúde.
Segundo o secretário de Saúde e Atenção à Pessoa com Deficiência, Gilson Machado, a proposta é que cada gestante seja acompanhada desde o início da gravidez pela Unidade Básica de Saúde ou Estratégia Saúde da Família mais próxima de sua residência. “Com essa estratégia, queremos reduzir de forma significativa os índices de mortalidade infantil, que ainda são elevados. Sabemos que o impacto em saúde leva tempo, mas acreditamos que essa iniciativa terá reflexo em curto prazo”, afirmou.
Além da descentralização, a Secretaria anunciou a ampliação de outras ações. Entre elas, a oferta de testes rápidos de gravidez, a aquisição do contraceptivo implanon e a contratação de 43 novos agentes comunitários de saúde. Também será elaborado um mapeamento da cobertura dos agentes já em atividade e implementado um programa de capacitações permanentes para toda a equipe da atenção básica, incluindo médicos, enfermeiros, odontólogos e técnicos.
O vereador Leopoldo Konzen, que participou do evento, destacou a importância da iniciativa. “Temos em Bagé um dos melhores centros obstétricos e uma UTI neonatal de referência regional. No entanto, ainda enfrentamos índices de mortalidade infantil incompatíveis com essa estrutura. Se cada um fizer a sua parte, conseguiremos mudar essa realidade”, disse.
O prefeito Luiz Fernando Mainardi lembrou que, em sua primeira gestão, em 2001, Bagé registrava 24,7 óbitos infantis a cada mil nascidos vivos. O índice foi reduzido para 12 em 2008. “Hoje, estamos diante de números novamente preocupantes. Mas, diferente do passado, já temos uma rede estruturada, que precisa ser fortalecida. Nossa meta é voltar a patamares mais baixos, e em menos tempo”, afirmou.
Mainardi também ressaltou o esforço orçamentário do município. “Enquanto a Constituição exige um investimento mínimo de 15% em saúde, Bagé aplica 22,5%. Estamos construindo e reequipando postos, adquirindo veículos e investindo na ampliação dos serviços. É um trabalho coletivo, que deve resultar em indicadores melhores e, sobretudo, na preservação de vidas”, concluiu.

