Saúde
Médica pós-graduada em dermatologia alerta para os riscos à saúde da pele no verão
Uso correto do protetor solar, atenção aos horários de exposição e hidratação estão entre as principais orientações
por Érica Alvarenga
Com o verão, aumentam os momentos ao ar livre, os banhos de sol e o contato com praia e piscina. Apesar de fazer parte da estação, a exposição solar excessiva pode trazer riscos à saúde da pele, desde queimaduras até o desenvolvimento de câncer de pele. O alerta é da Drª Helena Grimaldi, médica formada pela Ulbra, pós-graduada em Dermatologia pela BWS, que atende na Clinipampa.
Segundo a especialista, os danos causados pelo sol vão muito além do desconforto imediato. “A exposição solar excessiva aumenta o risco de queimaduras e favorece o câncer de pele. Além disso, os raios ultravioletas suprimem as células de defesa da pele, reduzindo a nossa imunidade”, explica.
Exposição solar e riscos
Entre os diferentes tipos de radiação, os raios UVB são os mais associados ao câncer de pele. A médica alerta que o tipo de exposição também influencia no risco. “A exposição intermitente, como a recreativa, é a mais associada ao melanoma, que é o câncer de pele mais agressivo. Já a exposição crônica favorece a formação do carcinoma espinocelular”, afirma.
Não existe um tempo seguro de exposição ao sol. Cada pessoa possui uma dose eritematosa mínima, que é o tempo necessário para a pele ficar avermelhada. Pessoas com pele, cabelos e olhos claros, por exemplo, tendem a se queimar mais rápido e toleram menos tempo ao sol.
Os horários também exigem atenção. “Das 10h às 16h os raios UVB estão mais intensos. Eles penetram menos na pele, mas são os mais relacionados aos danos solares e aos cânceres de pele”, reforça.
Mesmo exposições pequenas, que não chegam a causar queimaduras, acumulam danos ao longo da vida. “Essa exposição cumulativa aumenta, sim, o risco de câncer de pele”, alerta a médica.
Protetor solar: item indispensável
O uso diário do pretor solar é um dos principais aliados da saúde da pele, inclusive em dias nublados. “Mesmo com o céu encoberto, os raios solares ainda estão ali. Os raios UVA atravessam vidros, tanto das janelas de casa quanto do carro, por isso o filtro solar deve fazer parte da rotina da manhã”, orienta.
O fator de proteção indicado é FPS 30 ou superior, tanto para o dia a dia quanto para praia e piscina, sempre com reaplicação a cada duas horas ou após contato com água e suor. Entre os erros mais frequentes, a médica menciona o uso de protetor corporal no rosto, o que pode causar erupções acneiformes.
Sobre os diferentes formatos de protetor, a doutora faz um alerta: “o protetor em spray exige cuidado redobrado, pois a cobertura pode ser incerta”. Já a maquiagem com FPS não substitui o protetor solar. “A quantidade aplicada é muito menor do que a necessária para garantir a eficácia do filtro”, reforça.
Praia, piscina e cuidados após o sol
Além de evitar os horários de pico, a profissional recomenda alguns cuidados extras após o banho de mar ou piscina. “É importante hidratar bem a pele após o banho de higiene”, orienta.
Em casos de vermelhidão, loções calmantes com aloe vera ajudam a aliviar a pele. Uma alternativa caseira é o banho de aveia. “A água da aveia não precisa ser removida da pele após o banho”, observa. O cloro, segundo a especialista, pode causar ou agravar problemas, principalmente em pessoas com pele seca ou sensível.
Atenção redobrada para crianças e pacientes em tratamento
Alguns grupos exigem cuidados especiais no verão. As crianças, por exemplo, têm a pele mais sensível e podem sofrer com desidratação em períodos de calor intenso. “Queimaduras na infância são um fator de risco independente para o melanoma”, alerta.
Pacientes com melasma, acne ou rosácea também precisam de atenção extra. “Quem tem melasma deve evitar ao máximo a exposição solar e, após o filtro incolor, usar um filtro com cor. Já pacientes com acne devem optar por protetores não comedogênicos, indicados pelo médico”, pontua. No caso da rosácea, o sol e o calor podem agravar o quadro, sendo indicado manter os cuidados habituais e, se necessário, aplicar chá de camomila frio sobre o rosto.
Câncer de pele: sinais de alerta
A dermatologista orienta que sinais novos ou alterações na pele não devem ser ignorados. “Sinais que mudam de formato, tamanho ou cor, ou que se tornam elevados, merecem avaliação médica”, afirma.
A recomendação é realizar um exame dermatológico completo uma vez ao ano para identificação precoce de lesões suspeitas.
Rotina de cuidados
No verão, a hidratação da pele pode ser ajustada. “A pele costuma ficar menos seca, então é possível utilizar hidratantes menos oleosos após o banho”, destaca.
Hábitos simples fazem diferença como a ingestão adequada de líquidos, alimentação rica em frutas, uso diário de hidratante e protetor solar são fundamentais para manter a pele saudável durante a estação.
Para quem quer aproveitar o verão sem prejudicar a saúde da pele, a orientação é clara: “Aproveitar o sol de forma inteligente, sem se expor a riscos. Usar protetor solar regularmente, respeitar os horários de pico, manter-se hidratado e ter cuidado com substâncias fotossensibilizantes, como o limão, que em contato com a pele e o sol podem causar manchas”.

