Saúde
Como voltar à alimentação equilibrada depois das festas
Nutricionista orienta sobre equilíbrio alimentar e alerta para os riscos das dietas restritivas
por Érica Alvarenga
As festas de fim de ano costumam ser o período de maior consumo de refeições e alimentos hipercalóricos. Ceias, encontros e comemorações fazem parte de um contexto cultural e social que, segundo a nutricionista Ângela Nicoloso Knorr, não deve ser encarado como algo negativo.
“Não levamos em conta a famosa ‘dieta’ rígida do ano todo, com contagem excessiva de calorias e nutrientes. Esses momentos também fazem parte de uma alimentação saudável, desde que sejam pontuais e respeitem os sinais do corpo, como a saciedade”, explica a profissional, que atua há 17 anos na área.
Segundo a nutricionista, o problema não está nas exceções, mas na forma como elas são encaradas. “O hábito alimentar se constrói no dia a dia, e não nas exceções”, destaca. Para ilustrar isso aos pacientes, ela utiliza um cálculo simples: em média, uma pessoa realiza cinco refeições por dia, totalizando cerca de 35 refeições por semana. “Se duas ou três refeições fogem do planejamento, ainda restam mais de 30 refeições equilibradas. Isso permite, por exemplo, aproveitar uma sobremesa ou um churrasco em família sem grandes prejuízos à saúde.”
Ângela ressalta ainda que quanto maior a restrição alimentar, maior tende a ser o desejo pelos alimentos 'proibidos', o que dificulta a manutenção de uma rotina saudável ao longo do ano. “A flexibilidade é fundamental. Saúde hoje não é apenas ausência de doença, mas um estado de completo bem-estar físico, mental e social”, afirma.
Saúde vai além da alimentação
A nutricionista lembra que a saúde do ser humano deve ser avaliada a partir de uma base composta por cinco fatores essenciais: alimentação equilibrada, atividade física regular, sono adequado, controle do estresse e consumo adequado de água. “É preciso sempre olhar para esse conjunto quando pensamos em saúde de forma geral”, pontua.
No início do ano, é comum que muitas pessoas recorram a dietas extremamente restritivas ou a fórmulas milagrosas, motivadas pela culpa após os excessos das festas, sensação de inchaço ou aumento de peso na balança. Sobre isso, Ângela faz um alerta: “nosso corpo já possui mecanismos naturais de desintoxicação. Rins e fígado são os principais responsáveis por esse processo.”
Para ela, o mais importante neste momento é retomar uma rotina alimentar balanceada, individualizada e compatível com os hábitos e a rotina de cada pessoa. “Só assim essa alimentação poderá ser mantida durante todo o ano, sem sofrimento e sem culpa”, enfatiza.

