Saúde
Janeiro Branco: saúde mental em foco
Psiquiatra destaca a importância do cuidado emocional e da prevenção ao longo do ano
por Érica Alvarenga
O início do ano costuma ser marcado por planos, metas e promessas de mudança. Em meio a expectativas elevadas e agendas cheias, o cuidado com saúde mental muitas vezes fica em segundo plano. É nesse contexto que a campanha Janeiro Branco chama atenção para a importância de olhar para o bem-estar emocional, tema que ainda enfrenta estigmas e desinformação.
Segundo o médico psiquiatra Dr. Paulo Donadel, o ritmo acelerado da vida moderna e o excesso de exigências dificultam a manutenção dos autocuidados. “Cuidar das emoções é uma forma de respeito por si mesmo. Quando esse cuidado é negligenciado, o equilíbrio emocional pode ser comprometido”, explica.
O especialista é formado em Medicina pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e especialista em Psiquiatria pela Escola de Saúde Pública do Rio Grande do Sul. É membro associado efetivo da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e da European Psychiatric Association, além de pós-graduando em Sexologia Clínica. Atualmente, atende em consultório na Clinipampa.
Sinais que merecem atenção
Os primeiros sinais de sofrimento emocional costumam aparecer de maneira sutil. Alterações no sono, irritabilidade, dificuldade de concentração e perda do interesse por atividades antes prazerosas são alguns dos indícios. De acordo com o psiquiatra, quando esses sintomas persistem, podem estar relacionados a transtornos como ansiedade e depressão, exigindo avaliação profissional.
Impactos do mundo contemporâneo
A conectividade constante, o excesso de informação e as crescentes demandas profissionais criam um cenário propício à sobrecarga mental. As redes sociais, conforme observa o Paulo Donadel, intensificam comparações que afetam a autoestima e o bem-estar emocional. No consultório, é frequente o relato de pacientes que associam o agravamento dos sintomas ao uso excessivo dessas plataformas.
O papel do acompanhamento profissional
Ainda persiste a ideia de que o psiquiatra deve ser procurado apenas em casos graves. No entanto, o acompanhamento psiquiátrico também envolve ações preventivas e o cuidado de quadros leves e moderados. A psicoterapia, realizada por psicólogos ou psiquiatras, tem papel fundamental nesse processo, auxiliando na compreensão das emoções e no desenvolvimento de estratégias para lidar com o sofrimento psíquico.
Em alguns casos, o uso de medicação é indicado. Conforme destaca o especialista, os avanços da farmacologia permitem reduzir o sofrimento e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. “Optar por esse caminho é um ato de responsabilidade consigo mesmo, um reconhecimento de que cuidar da saúde mental é tão legítimo quanto cuidar do corpo”, afirma.
O profissional ressalta ainda a importância do apoio familiar e social. Uma rede de apoio presente contribui para a adesão ao tratamento, oferece suporte emocional e favorece a construção de um ambiente mais empático, essencial para o processo terapêutico.
Cuidados no dia a dia
Hábitos como sono adequado, alimentação equilibrada e prática regular de atividade física influenciam diretamente a saúde mental. Além disso, pausas na rotina, relações afetivas saudáveis e o uso consciente das tecnologias são estratégias que ajudam a prevenir o adoecimento emocional.
A campanha Janeiro Branco reforça a importância de tratar a saúde mental como prioridade, especialmente no início do ano, período simbólico de recomeços. A iniciativa convida à reflexão sobre o cuidado com a mente ao longo de todo o ano.

