Saúde
Início do ano mistura esperança e ansiedade; moradores relatam desafios e cuidados com a saúde mental
O início de um novo ano costuma ser marcado por planos, metas e expectativas. Mas, junto com a empolgação, também surgem sentimentos como ansiedade, preocupação e medo de não dar conta de tudo. No Janeiro Branco, mês dedicado à conscientização sobre a saúde mental, bajeenses relataram como estão se sentindo neste começo de ano e de que forma buscam equilíbrio emocional.
Para a dona de casa Liliane Caldas, a ansiedade está ligada às responsabilidades típicas do período. “Me sinto ansiosa, preocupada principalmente com os materiais escolares”, relata. Para aliviar a tensão do dia a dia, ela conta que faz caminhadas e procura tomar bastante líquido.
Já o estudante Emanuel Gonçalves descreve o início do ano como um momento positivo. “Me sinto empolgado, é um ano novo e podem vir coisas novas”, afirma. Apesar disso, ele destaca que as provas do colégio são uma preocupação constante. Para manter o bem-estar, Emanuel pratica academia e joga futebol.
O empresário Mário Dilélio também encara o começo de 2026 com otimismo, mas ressalta os desafios financeiros. “O início do ano é mais complicado, tem muitos impostos para pagar e a gente acaba gastando mais do que consegue arrecadar”, explica. Para aliviar o estresse, Mário busca sair da rotina, viajar quando possível, praticar atividade física e “pensar menos nos problemas em alguns momentos”.
A corretora de imóveis Patrícia Mouchet diz se sentir esperançosa com a chegada de um novo ano. “Se a gente não for otimista, fica difícil viver”, afirma. Ela conta que já colocou as metas no papel e agora aposta em fé e foco. Para cuidar da saúde mental, Patrícia recorre à oração, ao diálogo consigo mesma e a atividades manuais. “O crochê é uma higienização mental, acalma muito”, destaca.
A técnica em enfermagem Elisangela Farias também relata esperança para 2026. Ela acredita que o ano será positivo e afirma que o cuidado com a saúde mental passa pela espiritualidade e pela atividade física. “Procuro estar em contato com os meus guias, fazer um mantra, algo do tipo e praticar musculação. Eu trabalho na área da saúde, então preciso estar com o psicológico bem harmonizado”, relata.
O jovem aprendiz Domenich Domeneque diz se sentir bem, apesar da ansiedade natural do período. “Quero realizar mais sonhos, focar no trabalho e nos estudos”, conta. Ele admite a preocupação de não conseguir alcançar todas as metas e acabar adiando planos. Para manter o equilíbrio, Domenich afirma que procura ter uma boa rotina de sono, se alimentar bem e praticar atividades físicas.
Metas, ansiedade e o cuidado com a saúde mental
De acordo com Silvia Vargas, psicóloga, psicanalista, professora e coordenadora do curso de Psicologia da Urcamp, o início do ano é um período que pode gerar ansiedade, especialmente pela renovação de metas e expectativas. Segundo ela, muitas pessoas chegam ao fim do ano fazendo uma avaliação do que não foi cumprido e encaram janeiro como uma nova oportunidade.
Silvia explica que, quando metas e projetos ultrapassam aquilo que é possível dar conta em pouco tempo, o não cumprimento pode gerar frustração. Ela destaca que, muitas vezes, essa frustração acaba sendo maior do que a capacidade de enxergar tudo o que foi realizado ao longo do ano anterior.
A psicóloga ressalta a importância de valorizar as pequenas conquistas do cotidiano. Atividades como trabalhar, estudar, cuidar da família ou auxiliar alguém em um momento difícil também fazem parte das realizações. “É importante valorizar cada coisinha do dia a dia e não focar apenas no que não foi conquistado”, afirma.
Ela observa ainda que muitas pessoas relatam cansaço logo nas primeiras semanas do ano. “Parece que o ano já está longo e que a pessoa não está conseguindo produzir como gostaria, mas é preciso lembrar que existe um ano inteiro pela frente”, orienta.
Organização, apoio e busca por ajuda
A psicóloga também destaca que o início do ano costuma ser financeiramente desafiador, com despesas como impostos, material escolar e rematrículas, o que pode aumentar a ansiedade. Nesses casos, a recomendação é transformar a preocupação em organização e buscar apoio quando necessário, seja em serviços públicos, projetos universitários ou profissionais especializados.
Nesse sentido, a profissional ressalta o trabalho executado pela Universidade. “A Urcamp atua como um importante apoio à comunidade, oferecendo atendimentos psicológicos por meio de sua clínica-escola, além de serviços em áreas como fisioterapia, nutrição, orientação jurídica e fiscal” explica. Os atendimentos são realizados por acadêmicos supervisionados por professores e fazem parte das ações de extensão da universidade. A comunidade pode buscar informações diretamente junto à instituição para conhecer quais serviços estão disponíveis e como acessá-los.
Silvia reforça que priorizar o autocuidado não é egoísmo, mas uma necessidade. “Eu preciso estar bem para cuidar bem dos outros”, afirma. Para ela, pequenas atitudes no dia a dia, como evitar excessos de atividades, organizar a rotina e tentar olhar para as situações sob diferentes perspectivas, contribuem para a manutenção da saúde mental.
O Janeiro Branco, segundo a psicóloga, funciona como um convite para iniciar esse cuidado, mas a atenção à saúde mental deve se manter ao longo de todo o ano.

