Saúde
Útero retrovertido
Ginecologista desmistifica a condição que afeta cerca de 30% das mulheres
por Viviane Becker
O útero retrovertido, uma condição que gera muitas dúvidas entre as mulheres, não é uma doença, mas sim uma variação anatômica normal do órgão reprodutor feminino. De acordo com a ginecologista e obstetra Mariana Oxandabaratz Alfaro, essa característica está presente em aproximadamente 20% a 30% das mulheres.
Nessa posição, o útero se encontra inclinado para trás, em direção à coluna vertebral, em vez de permanecer na posição mais comum, levemente inclinado para frente. A médica destaca que, na grande maioria dos casos, a retroversão uterina não provoca sintomas e não interfere na fertilidade.
“É importante esclarecer que o útero retrovertido não impede a gravidez e não deve ser considerado uma patologia”, explica a médica. A condição geralmente é descoberta durante exames ginecológicos de rotina, como o ultrassom transvaginal ou o exame físico.
Embora a maioria das mulheres não apresente qualquer desconforto, em alguns casos podem surgir sintomas como dor pélvica crônica, dor durante as relações sexuais ou maior desconforto durante a menstruação. Quando presentes, esses sinais merecem avaliação médica detalhada para descartar outras causas associadas.
Mitos frequentes
Entre os mitos mais frequentes estão a ideia de que o útero retrovertido provocaria cólicas menstruais mais intensas, dificultaria a concepção ou aumentaria o risco de desenvolver miomas, endometriose ou adenomiose. “Cada corpo responde de forma única. O que realmente importa é o acompanhamento ginecológico regular, que permite identificar o que é normal para cada mulher e esclarecer dúvidas com base em exames e no histórico clínico”, reforça Mariana.
O acompanhamento médico contínuo continua sendo a melhor forma de cuidar da saúde reprodutiva e de separar fatos de mitos sobre o útero retrovertido.

