Saúde
Fevereiro Roxo reforça a luta e as conquistas das pessoas com fibromialgia em Bagé
por Melissa Louçan
O mês de Fevereiro Roxo, dedicado à conscientização sobre doenças crônicas como a fibromialgia, ganha um significado especial em Bagé. A mobilização local, impulsionada pela FIBROBAGÉ – Associação das Pessoas com Fibromialgia de Bagé e Região, tem acumulado importantes conquistas legais e estruturais nos últimos anos, fortalecendo a luta por reconhecimento, respeito e garantia de direitos.
A FIBROBAGÉ foi fundada em novembro de 2022 por Nívea Marques e Carina Martins, que assumiram, respectivamente, a presidência e a vice-presidência na primeira gestão da entidade. Desde então, a associação tem atuado na promoção de informação, acolhimento e articulação política em defesa das pessoas que convivem com a síndrome.
A fibromialgia é uma condição crônica caracterizada por dor musculoesquelética difusa e persistente, associada a alterações no processamento da dor pelo sistema nervoso central. Estudos apontam para uma disfunção na modulação dos estímulos dolorosos, fenômeno conhecido como sensibilização central, em que o cérebro passa a interpretar estímulos comuns como dor intensa. Entre os sintomas mais frequentes estão fadiga, distúrbios do sono, dificuldades cognitivas (como lapsos de memória e concentração), cefaleias, rigidez muscular, além de ansiedade e depressão.
O diagnóstico ainda representa um desafio, já que não há exames laboratoriais ou de imagem específicos que confirmem a condição. Ele é realizado de forma clínica, a partir da avaliação criteriosa dos sintomas e da exclusão de outras doenças. Embora historicamente acompanhada sobretudo por reumatologistas, a fibromialgia tem sido cada vez mais estudada também pela neurologia, em razão de sua estreita relação com o sistema nervoso central.
Conquistas no âmbito municipal, estadual e federal
Um dos marcos da mobilização em Bagé ocorreu em 27 de junho de 2023, com a promulgação da Lei Municipal nº 6.550/23, de autoria, à época, dos vereadores Cáren Castencio, Beatriz Souza e Cleber Zuliani. A norma institui a Política de Proteção dos Direitos da Pessoa com Fibromialgia no município e prevê, entre outras medidas, a implementação da Carteira de Identificação da Pessoa com Fibromialgia, assegurando reconhecimento e prioridade às pessoas com a condição. No mesmo mês, a FIBROBAGÉ foi oficialmente regularizada como associação.
A articulação avançou também no âmbito estadual, resultando na Lei Estadual nº 16.127, promulgada em 14 de maio de 2024 e publicada no Diário Oficial no dia 15 do mesmo mês. De autoria dos então deputados Luiz Fernando Mainardi e Valdeci Oliveira, a legislação equipara a pessoa com fibromialgia à pessoa com deficiência, ampliando o acesso a direitos e políticas públicas.
Em 2025, novas conquistas marcaram a trajetória da entidade. A associação passou a contar com sede própria, localizada no antigo Mercado Público, junto ao Serviço de Fisioterapia da Prefeitura Municipal de Bagé, um espaço que representa acolhimento, organização e fortalecimento da luta coletiva.
No mesmo ano, após novo processo eleitoral, Lilian Mello e Zoraide da Silva assumiram, respectivamente, a presidência e a vice-presidência da FIBROBAGÉ, estando atualmente à frente da entidade. Ainda em 2025, outra vitória histórica foi celebrada em nível nacional com a aprovação da Lei Federal nº 15.176, de 23 de julho de 2025, sancionada pelo Presidente da República. A legislação reconhece oficialmente que condições como a fibromialgia demandam mais do que consultas médicas: exigem cuidado integral, respeito, inclusão e o cumprimento efetivo das normas que garantem direitos às pessoas acometidas.
Para a presidente Lilian Mello, o avanço legislativo representa uma mudança histórica. “Durante muito tempo, pessoas com fibromialgia, fadiga crônica e outras dores invisíveis foram silenciadas, desacreditadas e negligenciadas, tanto pelo sistema de saúde quanto pelo mundo do trabalho. Com a nova legislação, consolidam-se as bases para a implementação de políticas públicas que devem atuar com responsabilidade e sensibilidade, promovendo ações concretas de proteção e garantia de direitos”, afirma.
Ela destaca, ainda, que o momento agora é de acompanhamento e mobilização. “É tempo de acompanhar a regulamentação e a efetiva implementação das leis, cobrar seu cumprimento e fortalecer os espaços de escuta, acolhimento e protagonismo das pessoas que convivem com essas condições. Não estamos sós. Nossas dores podem ser invisíveis, mas nossa luta é legítima e, agora, está amparada por lei.”
Neste Fevereiro Roxo, a mobilização reafirma a importância de dar visibilidade às dores invisíveis e fortalecer a voz coletiva. O roxo simboliza resistência, informação e empatia e lembra que conscientizar também é transformar realidades. Quando as vivências são compartilhadas e os espaços públicos são ocupados, rompe-se o silêncio, enfrenta-se o preconceito e ampliam-se direitos. Mais do que uma referência no calendário, o Fevereiro Roxo é um chamado permanente à escuta, ao respeito e à garantia de dignidade para todas as pessoas que convivem com a fibromialgia.
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