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O endereço onde Bagé começou a rodar e nunca mais parou

OLHO - É possível verificar, observando os modelos de cada década, como os carros foram mudando com o tempo

Em 28/03/2026 às 20:25h

por Redação JM

O endereço onde Bagé começou a rodar e nunca mais parou | Minuano Conecta | Jornal Minuano | O jornal que Bagé gosta de ler
Aero Willys é o xodó de Peruzzo / Foto: Érica Alvarenga

Mais de um século depois de conviver com o primeiro automóvel trazido por Emílio Guilayn o espaço onde funcionava o antigo Moinho Bageense volta a acelerar memórias. Hoje ocupado por um supermercado, o local abriga a maior coleção de carros antigos de Bagé, unindo passado e presente sobre rodas no mesmo endereço.

Desde 1904, quando o primeiro modelo rodou pela Rainha da Fronteira, mais de 47,3 mil carros foram integrados à frota da maior cidade da região da Campanha. Quatorze, porém, hoje dividem a mesma garagem, no anexo de um supermercado, na via que leva o nome do pioneiro espanhol do automobilismo local. É na loja de sua rede de supermercados, na Avenida Emílio Guilayn, que o empresário Lindonor Peruzzo mantém uma coleção única de antigos. E o espaço mais se aproxima de um museu particular do que de uma simples exposição. O espaço ainda não está aberto para visitação do público.

Entre os destaques da coleção está um Dodge Commander, veículo militar usado por generais. Segundo Peruzzo, o modelo, espaçoso na parte traseira, foi projetado para acomodar mapas e equipamentos militares. “Para o motorista ele é desconfortável. Imagino o soldado pulando por cima do estepe, mas é assim que era”, comenta.

A coleção de Peruzzo começou com uma picape Willys, derivada da Rural Willys, adquirida há cerca de oito anos, e se expandiu por meio de leilões e aquisições de amigos e outros colecionadores, como o doutor César Escobar, precursor do antigomobilismo na cidade, que morreu em junho de 2025.

Entre as joias da coleção de Peruzzo estão modelos únicos, como um Ford T, fabricado há 100 anos, que pertencia a Escobar, e um Chrysler Stratus conversível 1997, que o empresário considera o mais bonito do acervo. O modelo ainda não é oficialmente um carro antigo, mas logo deve ser efetivamente integrado à coleção.

Os carros são mantidos com extremo cuidado. Peruzzo explica que um mecânico é responsável pela manutenção, que inclui troca de óleo, calibragem dos pneus e pequenas manutenções para preservar o estado original dos veículos. Alguns passaram por restaurações completas. “É tudo original, muito difícil de encontrar”, pontua.

Além dos carros, há também um trator de 1950, adquirido em Bagé, já restaurado, que completa o acervo. Entre os desejos do colecionador estão raridades da indústria automotiva, como um Simca Chambord, e modelos grandes, como o Impala, considerados quase impossíveis de encontrar.

Peruzzo explica que o espaço não foi planejado como museu aberto ao público, mas sim como um local para guardar e contemplar os veículos. “Era para ser uma loja. Então coloquei os carros aqui. Fica mais aberto e espaçoso”, explica. Eventos pontuais podem ocorrer, mas visitas regulares não estão previstas.

Para Peruzzo, a coleção é mais que hobby ou investimento: é uma paixão por história e preservação. “Eu gosto da coleção. Percebo, através dos carros, as mudanças que ocorreram na indústria automotiva. É possível verificar, observando os modelos de cada década, como os carros foram mudando com o tempo”, reflete. Ele considera os carros valiosos não apenas pelo preço, mas pelo significado histórico e pela raridade. “Se eu quiser vender hoje, talvez venha alguém de São Paulo. Mas não é um mercado que existe. São carros de valor inestimável”, pontua.

O acervo impressiona tanto pela diversidade quanto pelo estado de conservação. Entre peças de madeira, motores imponentes e detalhes originais de décadas passadas, cada modelo tem uma particularidade. “O Ford T, por exemplo, tem acelerador na mão e as marchas são no pé”, exemplifica, ao confessar que dirige apenas alguns dos veículos, e em ocasiões especiais, como encontros de antigomobilistas.

Passaporte para museu

Uma espécie de insígnia identifica os veículos de coleção: é a placa preta, registro que abre portas para exposições em museus automotivos.

A placa preta é uma espécie de certificação, conferida aos veículos fabricados há mais de 30 anos, originais ou modificados, que possuem valor histórico. Mas existem regras para a concessão.

Para ser registrado como veículo de coleção, um modelo precisa apresentar 80% de originalidade. Ainda é exigido o Certificado de Veículo de Coleção, expedido por entidade credenciada pela Secretaria Nacional de Trânsito.

No caso dos modelos modificados, é preciso também o Certificado de Segurança Veicular, expedido por uma instituição técnica licenciada.

Registros em crescimento

Em Bagé, de acordo com levantamento do Departamento de Trânsito do Rio Grande do Sul (Detran-RS), 61 veículos ostentavam a placa preta até janeiro de 2026.

O número de veículos de coleção registrados na cidade quase dobrou desde 2023, quando a frota de coleção oficialmente emplacada totalizava 31 unidades.

Em 2024, ainda segundo dados do Detran-RS, 42 carros contavam com a placa preta em Bagé, número que saltou para 60 no final de 2025.

Meca do antigomobilismo

Pelo menos 11 veículos produzidos na década de 1920 ainda estão emplacados em Bagé, de acordo com estatísticas da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) — modelos que voltam às ruas anualmente para o Encontro Internacional de Veículos Antigos.

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A 15ª edição, realizada em julho do ano passado, como parte da programação dos 214 anos de Bagé, reuniu cerca de 200 veículos no Largo do Centro Administrativo.

O evento atraiu expositores de Santa Maria, Pelotas, Caçapava do Sul, Morro Redondo, Dom Pedrito e Pinheiro Machado, além de colecionadores do Uruguai.

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