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Parecer de Carlos Drummond de Andrade poderia ter antecipado tombamento do Forte de Santa Tecla em 20 anos

No meio do caminho tinha um forte. E tinha um processo. E tinha um parecer que não avançou

Em 25/04/2026 às 22:22h

por Redação JM

Parecer de Carlos Drummond de Andrade poderia ter antecipado tombamento do Forte de Santa Tecla em 20 anos | Minuano Conecta | Jornal Minuano | O jornal que Bagé gosta de ler
Documento integra acervo do Iphan / Foto: Reprodução /JM

O tombamento das fundações do Forte de Santa Tecla, aberto pela Sociedade dos Amigos de Bagé, presidida por Eurico Salis, começou em 1948 e só seria concluído em 1970, após mais de duas décadas de tramitação no então Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), à época DPHAN. Entre idas, pausas e retornos, o processo acumulou pareceres técnicos, registros administrativos e longos períodos de inércia institucional, apesar das reiteradas indicações de valor histórico do sítio.

O pedido foi encaminhado ao Ministério da Educação e Cultura em setembro de 1948, durante a gestão do prefeito Carlos Kluwe, que apoiava a proposta. O documento foi assinado por Arnaldo Faria, presidente da Liga de Defesa Nacional, e por Eurico Salis, da Comissão Municipal de Turismo. O texto situava a origem do forte em 1773, construído por espanhóis sob comando de Don Juan José Vertiz y Salcedo, e sua tomada em 1776 por Rafael Pinto Bandeira e Patrício Corrêa da Câmara.

No meio do caminho tinha uma seção. E tinha um poeta. E tinha um parecer

Em 1950, o processo chegou à Divisão de Estudos e Tombamentos (DET), então dirigida por Lúcio Costa, sendo encaminhado à Seção de História, chefiada por Carlos Drummond de Andrade. Em seu parecer, o poeta destacou o valor histórico das ruínas como “digno de nota”, em razão das disputas entre forças espanholas e portuguesas no sul do país, e recomendou a realização de uma inspeção técnica no local para avaliação dos vestígios remanescentes.

Poeta, cronista e um dos principais nomes da literatura brasileira do século XX, Carlos Drummond de Andrade também atuou como servidor público no Ministério da Educação, integrando estruturas ligadas à preservação do patrimônio cultural, como a então Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (DPHAN).

No meio do caminho tinha uma recomendação. E tinha uma ausência de desdobramento

Apesar do conteúdo técnico e da sugestão de vistoria, o parecer não teve encaminhamento efetivo. A inspeção recomendada não foi realizada naquele momento, e o processo permaneceu sem avanço significativo por anos, contribuindo para a prolongada estagnação da análise de tombamento.

O processo só voltaria a ganhar impulso em janeiro de 1970, quando uma reportagem do Jornal do Comércio, do Rio de Janeiro, noticiou escavações arqueológicas conduzidas por Fernando La Salvia, da Universidade de Caxias do Sul, na área do antigo forte. A partir da denúncia jornalística, o então diretor da DPHAN, Renato Soeiro, determinou a verificação das atividades e o controle de intervenções no local.

No meio do caminho tinha uma viagem. E tinha um relatório. E tinha Bagé

O diretor regional da DPHAN, Júlio Nicolau Barros de Curtis, foi enviado ao município para averiguação. Em relatório, elogiou o trabalho de La Salvia e a atuação de Tarcísio Taborda, da Fundação Universidade de Bagé, afirmando não haver risco nas escavações. O documento também sugeria a incorporação do pesquisador às atividades e registrava propostas de desapropriação da área e criação de um museu no local, que se tornaria referência para o futuro Museu Patrício Corrêa da Câmara, hoje com acervo no Museu Dom Diogo de Souza.

Em junho de 1970, a documentação foi encaminhada à chefia da Seção de Arte do Iphan, Lygia Martins Costa, que recomendou a inscrição das fundações do Forte de Santa Tecla no Livro do Tombo Histórico. Em setembro do mesmo ano, o órgão oficializou a proteção como patrimônio nacional.

No meio do caminho tinha uma carta. E tinha um general. E tinha um pedido

Antes da conclusão do processo, Tarcísio Taborda tentou articular apoio federal para a preservação do sítio, enviando correspondência ao general Emílio Garrastazu Médici com proposta de criação de um parque histórico e de um museu militar. O pedido, contudo, não teve resposta registrada nos arquivos do Iphan.
 

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