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Exequator: o heavy metal bajeense que transforma crítica social em potência sonora
por Yuri Cougo Dias
Com mais de uma década de trajetória, a banda bajeense Exequator consolida sua identidade no cenário underground com uma proposta que vai além do peso das guitarras. Enraizada no heavy metal, mas aberta a múltiplas influências, o grupo trabalha atualmente na produção de seu primeiro álbum de inéditas, um projeto que promete sintetizar a evolução musical e conceitual construída ao longo dos anos, hoje, carregada por Bruno Meneses (vocais), Adso Crespo e Julian Pinho (guitarras), Lucas Ollé (baixo) e Gean Cunha (bateria).
Formada oficialmente em 2014, a Exequator nasceu a partir de um projeto inicial entre os músicos Adso e Leandro Borges, ainda sob outro nome. Com a entrada do baixista Lucas Ollé naquele mesmo ano, o grupo passou a ganhar forma e, após a mudança de nome, motivada pela existência de outra banda homônima, iniciou sua trajetória tocando clássicos de nomes consagrados do metal, como Metallica e Black Sabbath. A formação considerada base da banda inclui, além de Lucas, os integrantes Adso Crespo, Israel Lopes, Leandro e Anderson Larronda, consolidando a identidade do grupo nos primeiros anos.
Ao longo de sua história, a Exequator passou por diferentes fases, marcadas principalmente pelo amadurecimento musical e por mudanças na formação vocal. Por volta de 2016, a banda estabilizou sua base instrumental, permitindo o desenvolvimento de uma sonoridade mais consistente e autoral. Desde então, o grupo vem refinando sua proposta, transitando entre vertentes do heavy metal sem perder a essência do gênero.
Essa evolução poderá ser percebida de forma clara no primeiro álbum da banda, atualmente em fase de produção. Com cerca de 10 faixas previstas, o trabalho deve apresentar diferentes momentos da trajetória do grupo, evidenciando a pluralidade sonora construída ao longo dos anos. “A base é o heavy metal, mas conseguimos transitar entre várias vertentes, respeitando as influências de cada integrante”, destaca Ollé.
As influências da Exequator vão do thrash metal mais clássico ao heavy tradicional e melódico, passando também por elementos do metal progressivo e do rock dos anos 1970. Bandas como Metallica, Black Sabbath, Rush, Queensrÿche, Saxon e Savatage ajudam a compor o mosaico sonoro que define a identidade do grupo.
No campo lírico, a banda aposta em uma abordagem crítica e contemporânea. Segundo o guitarrista Julian Pinho, as composições buscam refletir questões da sociedade moderna, como o excesso de trabalho, o desgaste mental, o impacto das redes sociais e as relações entre tecnologia, política e comportamento humano. “A crítica social e política está sempre presente, mesmo com variações temáticas”, afirma.
O processo criativo da Exequator é coletivo e orgânico. As músicas geralmente nascem de ideias iniciais de guitarra ou baixo, que são desenvolvidas em conjunto pelos integrantes, resultando em composições que carregam a identidade individual de cada músico. “Nunca fica exatamente como foi pensado no início, e isso é o mais interessante: cada um contribui com sua vivência para criar algo único”, explica Julian.
Antes do álbum, a banda lançou singles que já indicavam sua evolução sonora, como “Puppets” (2019), “Stealin’ Vote” (2020) e “Daydreaming” (2022), além de “Gods (2025)” e uma versão revisitada de “Stealing Volt” mais recente. As mudanças de vocal ao longo desse período também contribuíram para redefinir a identidade da banda, consolidada atualmente com Bruno Meneses nos vocais.
No palco, a Exequator aposta em intensidade e conexão. “Energia é a palavra. Quando subimos, algo acontece”, resume o guitarrista Adso Crespo. A experiência acumulada ao longo dos anos se traduz em entrosamento e segurança, elementos que se refletem em apresentações marcantes. Entre os destaques da trajetória estão shows em Porto Alegre, que ampliaram a inserção da banda na cena da capital, e participações no tradicional Moto Encontro de Bagé, onde o grupo conquistou forte identificação com o público local.
Inserida em uma cena underground historicamente ativa na cidade, a Exequator também se reconhece como parte de um movimento maior. “Bagé sempre teve uma cena forte e que se renova constantemente. A gente representa a resistência de manter uma banda autoral ativa por tanto tempo”, afirma Adso. Para o grupo, o reconhecimento vindo do próprio público e de outros músicos é um dos principais indicativos de relevância dentro desse cenário.
Com foco total na finalização do álbum, a banda projeta ampliar sua atuação após o lançamento, buscando maior inserção na cena de Porto Alegre e oportunidades de abrir shows para nomes de maior projeção, além de alcançar festivais e públicos fora do estado.
Mais do que um projeto musical, a Exequator se define como uma expressão autêntica dentro do heavy metal. “Somos uma banda sem rótulos, que faz heavy metal de forma humana, com crítica e identidade própria”, resume o grupo.

