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Crime contra Duda Laif expôs violência e vulnerabilidade de mulheres trans em Bagé
por Rochele Barbosa
O assassinato de Duda Laif, ocorrido em janeiro de 2021, em Bagé, marcou a cidade pela brutalidade do crime e reacendeu debates sobre transfobia, violência contra mulheres trans e a falta de políticas públicas de acolhimento à população LGBTQIA+. O caso voltou a ser lembrado no podcast “Almoxarifado de Crimes”, com entrevista da advogada Francine Ávila, coordenadora da Comissão da Diversidade Sexual e de Gênero da OAB Bagé.
Durante a entrevista, Francine destacou que crimes como o de Duda revelam uma realidade de vulnerabilidade social enfrentada por muitas mulheres trans no Brasil. Segundo ela, a exclusão familiar, a dificuldade de inserção no mercado de trabalho e a ausência de acolhimento fazem com que muitas acabem expostas à violência nas ruas.
Duda Laif foi morta em janeiro de 2021, após encontrar um homem para a realização de um programa em um terreno baldio nas proximidades do Centro Administrativo de Bagé. Conforme informações apresentadas durante o julgamento, imagens de câmeras de videomonitoramento registraram os dois caminhando juntos antes do crime.
De acordo com os relatos mencionados no podcast, houve um desentendimento relacionado ao pagamento do programa. O homem condenado pelo assassinato teria agredido Duda com diversos golpes na cabeça utilizando uma barra de ferro. O caso chocou pela extrema violência empregada contra a vítima.
A advogada Francine Ávila afirmou que o caso evidencia não apenas a transfobia, mas também a violência estrutural contra mulheres. “Somos mulheres antes da questão trans. Existe uma sociedade extremamente machista que extravasa suas violências contra mulheres de forma brutal”, destacou.
O homem acusado negou o crime durante o julgamento, alegando que apenas teria reagido a uma suposta agressão. Entretanto, acabou condenado a 19 anos de prisão. O caso foi enquadrado também dentro do entendimento jurídico relacionado à homotransfobia, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal como forma de discriminação equiparada ao racismo.
Durante a conversa no podcast, Francine também criticou situações de desrespeito à identidade de gênero de vítimas trans. Segundo ela, em muitos momentos Duda foi chamada pelo nome civil antigo, prática considerada discriminatória. A advogada lembrou que decisões do STF garantem o direito ao nome social e à retificação de registro civil.
Outro ponto debatido foi a ausência de políticas públicas efetivas voltadas à população trans. Francine observou que muitas mulheres trans acabam recorrendo à prostituição por falta de oportunidades de emprego e acolhimento social. “A vulnerabilidade é enorme. Muitas não têm apoio familiar, não conseguem inserção no mercado de trabalho e acabam expostas à violência diariamente”, afirmou.
O caso de Duda Laif gerou manifestações em Bagé e mobilizou movimentos sociais que pediam justiça e mais proteção à população LGBTQIA+. Para Francine Ávila, lembrar casos como este é importante para que a sociedade reflita sobre preconceito, discriminação e violência. “A gente precisa evoluir enquanto sociedade e entender que homotransfobia é crime”, concluiu.

