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Saúde

Terapia alimentar pode ajudar crianças a superarem a seletividade

Em 04/06/2026 às 21:35h
Viviane Becker

por Viviane Becker

Terapia alimentar pode ajudar crianças a superarem a seletividade | Saúde | Jornal Minuano | O jornal que Bagé gosta de ler
Nutricionista Verônica Bittencourt com o filho Aluisio, que inspirou a ampliacação da pesquisa na área

Inspirada pelo diagnóstico do próprio filho, a nutricionista Verônica Bittencourt explica a diferença entre consultas convencionais e o tratamento que usa o brincar para aproximar os alimentos dos pequenos pacientes.

Uma abordagem da nutrição infantil vem ganhando força ao focar não na estética, mas na saúde funcional e no desenvolvimento neurodivergente: a terapia alimentar.

A iniciativa faz parte da atuação da nutricionista Verônica Bittencourt, formada pela Urcamp que trabalha com seletividade alimentar e intervenção Análise do Comportamento Aplicada (ABA). Verônica ingressou na área por um motivo pessoal. "Comecei a estudar o assunto a partir do diagnóstico de autismo do meu filho, Aluísio, hoje com seis anos", conta a profissional, que se dedica também a essa especialidade.

A nutricionista explica que a demanda pelo serviço reflete uma realidade expressiva. Estima-se que quase 80% das pessoas dentro do Transtorno do Espectro Autista (TEA) apresentem algum tipo de restrição ou seletividade alimentar. No consultório de Verônica, esse público representa a grande maioria dos atendimentos. "Atualmente, todos os meus pacientes são crianças seletivas, e a maior parte delas é autista. São poucos os que não possuem essa barreira com a comida", explica.

 

Terapia Nutricional x Terapia Alimentar

A terapia nutricional infantil é a consulta convencional. Nela, a nutricionista prescreve um plano alimentar focado em tratar patologias, como diabetes infantil, colesterol alto, sobrepeso ou desnutrição. Já a terapia alimentar é um processo clínico e multidisciplinar voltado para o tratamento das dificuldades alimentares, seletividade e traumas relacionados à comida. 

 

Resignificando a relação com os alimentos

"A terapia alimentar é uma versão totalmente lúdica. Ela acontece em sessões semanais de 50 minutos, onde fazemos uma aproximação gradual do alimento por meio de histórias, jogos, brincadeiras e produção de receitas", diferencia Verônica.

O tratamento respeita o ritmo de cada criança. Na prática, isso acontece de forma leve, divertida e sem pressão. “A criança pode começar apenas tocando o alimento, depois cheirando, brincando com a comida ou usando um alimento dentro de uma brincadeira. Ela vai se sentindo mais confortável para chegar mais perto até conseguir provar”, explica a nutricionista. Cada etapa é importante. Às vezes, o primeiro avanço não é comer, mas aceitar o alimento no prato, encostar ou levar até a boca.

 

Neofobia ou seletividade?

Outro ponto de alerta para os pais é saber diferenciar o desenvolvimento natural de um quadro clínico. Até os três anos é comum a criança passar pela fase da neofobia alimentar, a rejeição natural ao que é novo. É o período em que a criança experimenta, recusa, mas continua comendo outros itens e formando o paladar.

A seletividade real se consolida após essa idade. "Identificamos o comportamento seletivo quando a criança passa a restringir rigidamente suas opções por cores (preferindo só alimentos brancos ou beges) ou por texturas (aceitando apenas crocantes, como bolachas e pães, e rejeitando texturas líquidas ou pastosas que grudam nas mãos)", alerta Verônica.

Segundo ela, quando o padrão se instala, é preciso investigar as causas. "Pode ser uma questão sensorial, muito presente no autismo, ou decorrente de dificuldades motoras, como problemas na mastigação, por fatores emocionais como engasgos ou pressão para comer ou até por problemas digestivos."

 

 

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