Saúde
Suspensão da vacina do Butantan não afeta campanha de imunização em Bagé
Após suspensão temporária da vacina do Butantan, município afirma que adolescentes receberam imunizante da Takeda
por Leonardo Almeida
por Leonardo Almeida
A Coordenadoria de Imunização da Prefeitura de Bagé divulgou uma nota sobre a suspensão temporária da vacina contra a dengue produzida pelo Instituto Butantan, anunciada na segunda-feira, 8. De acordo com o comunicado, apenas doses da Qdenga, do laboratório Takeda, foram aplicadas na população geral, enquanto a vacina Butantan-Dengue foi destinada exclusivamente aos profissionais da saúde.
A coordenadora de imunização do município, Cláudia Bastianello, explica que 'nenhum adolescente recebeu esta vacina'. "A imunização que eles receberam foi a vacina Qdenga, do laboratório Takeda. Queremos tranquilizar os pais, principalmente após essa determinação do Ministério da Saúde e da Anvisa”, afirma.
Bastianello destaca que as doses da Qdenga seguem disponíveis para crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos. Segundo ela, mais de mil doses já foram aplicadas no público-alvo apenas neste ano. A coordenadora destacou ainda que nenhuma reação adversa significativa foi registrada entre os profissionais da saúde que receberam a vacina.
O que levou à suspensão
Na terça-feira, 9, durante coletiva de imprensa, o Ministério da Saúde informou que a decisão foi tomada após o recebimento de notificações de farmacovigilância — processo de monitoramento contínuo dos efeitos de vacinas e medicamentos após sua aprovação.
Em cerca de 500 mil aplicações, foram registrados 42 eventos adversos graves, o equivalente a 0,008% do total de pessoas vacinadas, índice classificado como “muito raro”.
Entre os casos analisados, três evoluíram para quadros considerados graves, resultando em duas mortes.
O primeiro caso foi o de uma mulher de 39 anos que apresentou dores musculares, náusea e febre seis dias após a vacinação. O quadro evoluiu para dengue grave e ela precisou ser internada em uma UTI.
O segundo caso envolve uma mulher de 48 anos que desenvolveu sintomas de dengue grave 19 dias após receber a vacina, com comprometimento neurológico e meningoencefalite, o que levou ao óbito.
Já o terceiro caso foi o de um homem de 58 anos que apresentou febre cinco dias após a vacinação. O quadro evoluiu para dengue com choque refratário, e ele também morreu. “Queria reforçar aqui que o Ministério da Saúde tem toda a confiança na capacidade institucional e científica do Instituto Butantan para realizar essa investigação e aprofundar esses estudos. Isso foi apresentado no Comitê de Farmacovigilância Nacional, realizado hoje pela manhã, e o comitê recomendou de forma consensual essa estratégia de descontinuidade”, disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
A orientação para quem recebeu a dose nos últimos 21 dias é realizar acompanhamento e ficar atento ao surgimento de sintomas como febre, dor abdominal, vômitos e outros sinais compatíveis com dengue. Desenvolvida pelo Instituto Butantan, a vacina é a primeira contra a dengue aplicada em dose única e também a primeira totalmente brasileira.

