Saúde
Neurologista traz para Bagé tratamento que pode alterar o curso do Alzheimer
por Viviane Becker
O neurologista João Bastianello anuncia que novos tratamentos aprovados no Brasil podem mudar a história da doença de Alzheimer, que afeta milhões de pessoas no país. Segundo o médico, esses avanços já estão disponíveis e já começaram a ser aplicados em pacientes da região. Bastianello tem consultório fixo em Porto Alegre e atende em Bagé, na Clínica Singular, nos finais de cada mês.
O médico explica que, durante décadas, o tratamento se limitava ao controle de sintomas, como agitação, alucinação e agressividade, com medicamentos via oral. Agora, há cerca de um ano, a Anvisa aprovou dois novos medicamentos, o Donanemabe e Lecanemabe, que pertencem à mesma classe e têm como principal objetivo frear a progressão da doença.
“É como um carro que estava correndo a 100 km por hora e passa a andar a 40 ou 50 km/h”, compara o neurologista.
Um ponto que tem chamado atenção é a possibilidade de diagnosticar a doença ainda nos primeiros sintomas. Antes, o diagnóstico era basicamente clínico e havia margem de erro de 15% a 20%, pois outras doenças podem causar demência. Hoje, a partir dos primeiros sinais, é possível solicitar exames mais precisos, como o PET-CT, a tomografia para identificação da proteína amilóide no cérebro, o Pet-amilóide cerebral, principal causadora do Alzheimer. Com a combinação da história clínica e dos exames, o diagnóstico se torna muito mais seguro.
Como funciona
O procedimento consiste na injeção intravenosa de um radiofármaco (como o Florbetabeno), que se liga especificamente às placas amiloides. Após um período de repouso (geralmente de 60 a 90 minutos) para que a substância se distribua pelo cérebro, as imagens são captadas em cerca de 15 a 20 minutos
Bastianello explica que a detecção precoce é fundamental porque permite iniciar o tratamento antes que a doença evolua para o estágio demencial mais grave, algo que não era possível no passado.
Atenção aos sinais
Sobre os sinais de alerta, Bastianello destaca que a maioria dos casos surge após os 65 ou 70 anos e começa com esquecimentos frequentes e repetição de perguntas, o que costuma chamar a atenção da família. “Com o tempo, surgem dificuldades para realizar tarefas simples do dia a dia, como lidar com finanças, usar eletrodomésticos ou se orientar na rua”, explica.
O neurologista ressalta que o Alzheimer pode ser hereditário, mas isso ocorre em apenas 5% dos casos, geralmente de forma mais agressiva e antes dos 60 anos. Na maioria das situações, a doença progride de forma mais lenta.
Quanto à prevenção, ele aponta que estudar mais, manter o hábito da leitura e preservar a audição são fatores importantes. Além disso, controlar obesidade, sedentarismo, pressão arterial e diabetes ajuda a reduzir o risco.
O neurologista informa que já está trabalhando para oferecer os novos tratamentos em Bagé. “Atualmente, esse tipo de medicação ainda não está disponível em nenhum outro lugar fora de Porto Alegre e Santa Maria. A expectativa é que o município seja pioneiro na região mais ao Sul do Estado”, relata.
O médico explica que o tratamento que é feito por infusões mensais na veia, tem custo em torno de R$ 200mil a R$ 300 mil, particular. Os planos de saúde ainda dependem de aprovação, mas a perspectiva é de que em um ou dois anos a medicação se torne mais acessível a população.

