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O turismo começa nas pessoas

Mais do que hotéis, restaurantes e roteiros, o turismo é construído por cada morador e pode impulsionar o desenvolvimento de Bagé e da Campanha

Em 04/07/2026 às 10:00h

por Miquéli Romero

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Foto: Divulgação

Toda cidade deixa uma lembrança.
Às vezes ela está na imponência de um prédio histórico. Outras, no sabor de um café, na paisagem que se abre depois da curva da estrada ou na fotografia levada para casa. Mas, quase sempre, aquilo que permanece na memória de quem viaja é algo muito mais simples: a forma como foi recebido.
Uma informação dada com gentileza. Um comerciante que faz questão de indicar um restaurante. Um atendente de hotel que conta a história da cidade. Um motorista que aponta um caminho. Um "bom dia" dito por alguém que talvez nunca mais se encontre. É aí que o turismo começa.
Muito antes dos roteiros, dos mapas ou das placas de sinalização, o turismo nasce nas pessoas. E talvez seja justamente por isso que ele não deva ser entendido como responsabilidade apenas de secretarias, hotéis, restaurantes ou agências de viagem. Uma cidade inteira faz turismo quando compreende que cada visitante leva consigo uma impressão do lugar por onde passou.
Na Campanha Gaúcha, essa ideia ganha um significado especial. Entre as coxilhas do Pampa, a região reúne patrimônio histórico, tradição campeira, gastronomia, vinhos, azeites, turismo rural e paisagens que carregam parte da história do Rio Grande do Sul. Mas nenhum desses atrativos fala por si. São as experiências vividas aqui que transformam uma visita em lembrança.
E isso importa porque o turismo também é desenvolvimento.
Mais do que uma atividade ligada ao lazer, o turismo movimenta a economia, fortalece a cultura, valoriza a identidade local e cria oportunidades. Uma cidade que recebe bem, organiza seus atrativos e reconhece o valor daquilo que possui fortalece também sua autoestima e amplia suas possibilidades de crescimento.

Planejamento para transformar potencial em destino

Para o economista Eduardo Palmeira, a Campanha reúne características que poucos territórios possuem de forma tão integrada: paisagem, patrimônio cultural, gastronomia, produção rural, fronteira, identidade pampeana e hospitalidade. O desafio, segundo ele, é transformar esse conjunto em experiências organizadas, conectando municípios e estruturando produtos turísticos capazes de fortalecer a economia regional.
Essa também é a visão da presidente da Instância de Governança Regional APATUR, Luciane Gomes. Administradora e apaixonada por viagens, ela conta que foi justamente conhecendo outros destinos que percebeu o potencial da região que escolheu para viver.
Moradora de Bagé desde 2010, Luciane afirma que, por muitos anos, a rotina de trabalho não lhe permitiu conhecer diversos atrativos da Campanha. Quando começou a explorá-los, veio a surpresa: "É impressionante o quanto temos para oferecer e, muitas vezes, nós mesmos não conhecemos."
Segundo ela, a região vem registrando um aumento no fluxo de visitantes, impulsionado principalmente pelo turismo de compras na fronteira, pelo Trem do Pampa e pelo crescimento do turismo de negócios. Ao mesmo tempo, a APATUR trabalha na integração de 14 municípios para fortalecer roteiros regionais, promover capacitações e organizar a oferta turística, facilitando o acesso dos visitantes às experiências disponíveis. "Precisamos mostrar de forma organizada onde ir, o que fazer e onde se hospedar", resume.
Entre os segmentos com maior potencial, Luciane destaca o turismo rural, religioso, de negócios e o enogastroolivoturismo, segmento que reúne vinhos, azeites, gastronomia e a vivência autêntica do Pampa.
A construção desse turismo regional também passa pelo planejamento. Enquanto os municípios desenvolvem seus planos locais, a APATUR coordena um plano regional de desenvolvimento turístico, pensado para garantir continuidade às ações e fortalecer a Campanha como um destino integrado, independentemente das mudanças de gestão.

Bagé aposta no turismo como política permanente

Esse também é o caminho adotado pela Secretaria Municipal de Turismo de Bagé. O município trabalha na estruturação do setor como uma política pública permanente, tendo como principal instrumento o Plano Municipal de Turismo, que irá orientar as ações para os próximos dez anos.
A proposta é fortalecer diferentes segmentos, como o turismo rural, histórico, cultural, gastronômico, científico, esportivo, religioso, de natureza e de eventos, articulando poder público, iniciativa privada e instituições para consolidar Bagé como um destino ligado à identidade do Pampa.
Entre as ações em andamento estão a qualificação de empreendedores, o fortalecimento do turismo rural, a consolidação da plataforma Visit Bagé, a criação de roteiros turísticos, a Temporada de Inverno Bah!Geada, a organização da Semana de Bagé e da Semana Farroupilha, além da captação de eventos científicos e da participação em projetos de integração com municípios da Campanha e cidades do Uruguai.
Mas, para o secretário de Turismo de Bagé, Gustavo Andrade, existe um aspecto que nenhuma política pública consegue construir sozinha: o acolhimento.
Segundo ele, o turismo acontece diariamente, nas ruas, no comércio, nos hotéis, nos espaços culturais e no contato entre moradores e visitantes. Um gesto de simpatia, uma informação prestada com educação ou uma simples demonstração de hospitalidade ajudam a construir a imagem que cada pessoa levará de Bagé.
Porque, no fim das contas, quem viaja talvez esqueça o nome de uma rua ou a fachada de um prédio.
Mas dificilmente esquece como foi recebido.

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