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Grupos de Bagé conquistam classificações e seguem na disputa pelo Enart
por Melissa Louçan
Invernadas de diferentes entidades do município voltaram para casa com classificações importantes nas etapas do Encontro de Artes e Tradição Gaúcha (ENART), principal festival artístico do tradicionalismo gaúcho, promovido pelo Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG). O festival reúne participantes de diversas regiões do Rio Grande do Sul em modalidades como danças tradicionais, música, declamação e outras manifestações da cultura gaúcha. A disputa ocorre em etapas classificatórias até a definição dos campeões.
Entre os destaques está a invernada juvenil do GAN Campo Aberto, formada por cerca de 30 dançarinos. O grupo conquistou o segundo lugar na etapa classificatória realizada em São Gabriel e recebeu, mais uma vez, o prêmio de melhor coreografia, com o tema "Fábrica de Gaieteiros". A invernada mirim da entidade também garantiu classificação.
Segundo a posteira da invernada, Tiana Brito, a preparação para a competição envolveu meses de trabalho, participação em rodeios para ajustes técnicos, ensaios diários na semana que antecedeu a disputa e o apoio das famílias na realização de promoções para custear a viagem. "A preparação foi intensa. Na última semana tivemos ensaios todos os dias e contamos com o apoio dos pais e da coordenação patronal para realizar promoções e custear a viagem", relata.
Ela destaca que o desempenho dos jovens foi resultado do empenho coletivo. "Quando entraram no tablado fizeram uma baita apresentação. Conseguimos novamente o primeiro lugar na coreografia e a classificação em segundo lugar, um feito enorme para nós", afirma.
Agora, a equipe concentra a preparação para a próxima etapa, que será realizada entre os dias 24 e 26 de julho, em Erechim. Até lá, a programação inclui novos ensaios e ações para arrecadar recursos destinados à viagem.
Feito inédito para o Prenda Minha
Outra conquista veio da invernada juvenil do CTG Prenda Minha. Composta por 32 jovens entre 14 e 17 anos, a equipe participou do 2º Rodeio Artístico da 18ª Região Tradicionalista, em São Gabriel, onde conquistou o vice-campeonato. Na sequência, disputou a Inter-Regional Classificatória do ENART Juvenil e terminou em primeiro lugar entre os dez grupos participantes, garantindo vaga para a final, marcada para 26 de julho, em Erechim.
Para a posteira Carine Legel, o objetivo inicial era conquistar a classificação. "Nossa expectativa era nos classificar. O primeiro lugar foi consequência da dedicação, da garra e da perseverança dos integrantes", afirma.
Ela ressalta que a participação nas competições também exige um grande esforço financeiro por parte da entidade: "Além de dançar bem, precisamos dispor de valores elevados para seguir participando dos rodeios e das finais", destaca.
Segundo a coordenadora, os custos previstos incluem R$ 8,8 mil para transporte e R$ 2,1 mil para o conjunto musical. Para viabilizar a participação nas próximas etapas, o grupo promove rifas, pedágios e outros eventos para arrecadar recursos junto à comunidade.
A classificação em primeiro lugar representa, conforme a dirigente, um feito inédito para uma invernada juvenil de Bagé. Além da final do ENART Juvenil, a equipe também tem participação prevista na classificatória do Juvenart, em Santa Maria.
Guapos da Fronteira mira nova classificação
Na categoria adulta, o DTG Guapos da Fronteira também segue na disputa pelo ENART. Após superar a etapa classificatória, o grupo agora se prepara para disputar a Inter-Regional de Rosário do Sul, em agosto, buscando uma vaga na final estadual.
Segundo o patrão da entidade, Eduardo Bittencourt, o trabalho de fortalecimento da invernada adulta começou com a atual gestão, que assumiu em novembro de 2025. A proposta era reestruturar o grupo, que, conforme ele, voltou a colocar um representante de Bagé na final do ENART em 2023, depois de mais de 17 anos. "O grande projeto era a reestruturação do grupo de danças adulto. Em dezembro já tínhamos mais de 14 pares na sala", lembra.
Hoje, a invernada conta com 13 peões, 16 prendas, dois instrutores e uma coordenadora, além do apoio dos familiares, que auxiliam na organização das atividades e das promoções.
A preparação para a etapa classificatória incluiu meses de ensaios e treinamentos diários nas semanas que antecederam a competição. O grupo também apostou em uma identidade artística inspirada nas origens do gaúcho fronteiriço, retratando a figura do changueador e dos antigos contrabandistas como personagens ligados à formação histórica da região.
"Vamos levar o nome de Bagé cada vez mais longe porque precisamos mostrar que temos condições de disputar os principais rodeios e festivais de dança gaúcha", afirma Bittencourt.
Além dos ensaios, a entidade segue promovendo ações para custear a temporada. Entre as despesas estão transporte, alimentação, instrutores, conjunto musical e a complementação da indumentária dos peões, incluindo esporas, botas e coletes, necessários para as próximas apresentações.

