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Se pudessem presentear Bagé, o que os moradores escolheriam?
por Márlon Castro Posqui
Esperança, segurança, água, emprego, cuidado e pertencimento. Em vez de embrulhos, os bajeenses ofereceram desejos. Em uma cidade que celebra 215 anos de história, os presentes imaginados pelos moradores ajudam a revelar também os desafios e as potencialidades da Rainha da Fronteira.
Para marcar os 215 anos de Bagé, a reportagem foi às ruas com uma pergunta simples: “Que presente você daria para a cidade?”. As respostas vieram carregadas de sentimentos, críticas, expectativas e carinho por um município que, entre casarões centenários e praças históricas, ainda busca soluções para problemas tão antigos quanto.
As respostas, embora diferentes, pareciam conversar entre si. Ao mesmo tempo, os entrevistados demonstraram carinho pela Rainha da Fronteira. A arquitetura, o patrimônio histórico, a cultura, o acolhimento da população e a tranquilidade foram lembrados como características que fazem de Bagé uma cidade única.
Qual presente a Rainha da Fronteira merece ganhar neste aniversário?
Para o artista plástico e tatuador Márcio Munhoz, de 50 anos, um dos maiores desafios de Bagé é fazer com que a população acredite mais no potencial da própria cidade. Em contrapartida, ele destaca a arquitetura histórica, a receptividade dos moradores e a forte identidade cultural bajeense como características que diferenciam o município. Se pudesse escolher um presente para os 215 anos da Rainha da Fronteira, daria esperança. “Esperança. A nossa cidade tem tudo. A gente pode pensar num futuro melhor”, afirma.
A estudante Helena Grandini, de 22 anos, acredita que Bagé possui um dos patrimônios históricos mais ricos da região, mas entende que o município precisa encontrar um equilíbrio entre preservar seu passado e permitir seu desenvolvimento. Como presente, ela deseja uma população mais engajada com a cidade. “Que Bagé tivesse cada vez mais pessoas que se importassem com ela e cuidassem da cidade”, diz.
Para o cerimonialista Heleno Kegler, de 50 anos, os principais desafios estão na infraestrutura, com necessidade de melhorias nas ruas, praças e arborização. Em compensação, ele enxerga no povo bajeense a maior qualidade da cidade, destacando a receptividade e o acolhimento dos moradores. Seu presente seria “bastante alegria e bastante amor para o povo de Bagé, porque o povo é sofrido e merece."
O funcionário público Gabriel Collares, de 30 anos, aponta o racionamento de água e o déficit de pavimentação como os principais problemas enfrentados pelo município. Ao mesmo tempo, considera Bagé uma cidade segura, especialmente quando comparada a grandes centros urbanos. Para ele, o presente ideal seria a conclusão da Barragem da Arvorezinha, além de mais estradas e oportunidades de emprego.
A estudante Laura Alvarenga, de 15 anos, cita a falta de pavimentação em diversos bairros e a segurança na região central entre os desafios da cidade. Como pontos positivos, destaca o potencial turístico e a realização de eventos culturais, como o Festival Internacional de Cinema da Fronteira. Na hora de escolher um presente, ela foi direta: a conclusão da barragem. “Está há anos para vir e não vem.”
Já a estudante Maria Clara Teixeira, de 18 anos, acredita que a segurança pública ainda precisa avançar para que a população possa frequentar os espaços públicos com mais tranquilidade. Em contrapartida, elogia as áreas destinadas ao esporte e ao lazer, como o Militão e a região da Santa Tecla. Para ela, o presente ideal seria justamente mais segurança para os bajeenses.
Por fim, Pamela Pamplona, de 30 anos, avalia que Bagé possui estrutura e potencial para crescer, mas precisa de uma gestão mais eficiente e de uma mudança de mentalidade, com menos receio de inovar. Assim como Márcio, seu presente para os 215 anos da cidade seria esperança. “A gente precisa pensar fora da caixa, perder o medo do novo. Quando isso acontecer, tudo começa a ir para frente”, conclui.

