Cidade
Casa Ipiranga amplia estrutura do Imba e permitirá atendimento a 1,2 mil alunos
por Márlon Castro Posqui
A expansão da estrutura física do Instituto Municipal de Belas Artes (Imba) deve permitir um aumento de cerca de 50% no número de alunos atendidos pela instituição. Com o aluguel da Casa Ipiranga, imóvel vizinho à sede do Instituto, a meta é ampliar o atendimento dos atuais cerca de 800 estudantes para 1,2 mil a partir de 2027, além de desafogar os espaços já existentes e reduzir filas de espera em diferentes cursos.
Segundo o diretor do Imba, Guilherme Monteiro, o crescimento registrado desde 2025 resultou na saturação da estrutura física da instituição. Atualmente, espaços como o Salão Nobre Carlos Gomes são utilizados simultaneamente para aulas, ensaios dos corais e da banda, além de outras atividades, exigindo constantes adaptações na rotina para atender todas as demandas. “O processo de reestruturação e crescimento que se deu no Imba a partir de 2025 acabou tendo consequências físicas, principalmente no espaço do Instituto. Para ampliar a quantidade de cursos e de alunos, foi preciso espremer toda a estrutura que existia. Hoje, nossas estruturas estão fisicamente saturadas", destaca o diretor.
De acordo com Monteiro, a oportunidade de locação surgiu após a disponibilização da Casa Ipiranga, localizada ao lado do Instituto. Além da proximidade, a direção destaca que o imóvel possui características arquitetônicas semelhantes às da sede do Imba e oferece condições para receber as atividades com poucas adaptações estruturais.
A sede administrativa permanecerá no Solar da Sociedade Espanhola. Já a Casa Ipiranga abrigará um amplo salão para a banda e os corais, um espaço destinado às aulas de dança, a sala de atendimento psicológico, cerca de quatro novas salas de aula e um ambiente que poderá receber um futuro estúdio por meio de parcerias.
A ampliação física permitirá a abertura de novas vagas, com prioridade para cursos que atualmente possuem listas de espera. A dança será a área mais beneficiada, já que ganhará um salão maior do que o existente hoje, ampliando a capacidade de atendimento. “A gente vai procurar ampliar esse número e tentar chegar na meta de 1.200 alunos. A dança será a área que mais vai ganhar ampliação, mas, na medida das nossas possibilidades e da disponibilidade de professores, também ampliaremos outras áreas”, projeta o diretor.
A ocupação da Casa Ipiranga será gradual. Ainda no segundo semestre deste ano, a previsão é transferir inicialmente as atividades complementares, como banda, corais e outras práticas de música e dança. Conforme o espaço for mobiliado e equipado, novas turmas poderão ser deslocadas para o local.
As intervenções no imóvel serão pontuais e concentradas na instalação de mobiliário e equipamentos específicos, como espelhos para a sala de dança. A direção afirma que as características arquitetônicas da Casa Ipiranga serão preservadas e que não haverá alterações na fachada nem na identidade visual do prédio.
Embora a nova estrutura deva contribuir para diminuir as filas de espera, a direção ressalta que a ampliação de vagas também depende da contratação e formação de professores em áreas onde há maior demanda. Ainda assim, a expectativa é de que o novo espaço represente um importante avanço para ampliar o acesso ao ensino artístico em Bagé e consolidar o crescimento vivido pelo Imba nos últimos anos.
Farmácia Farma e Farma Popular
Antes de ser escolhida para abrigar a expansão do Imba, a Casa Ipiranga foi palco de um dos debates mais recentes sobre o uso do patrimônio histórico em Bagé. O imóvel recebeu, por pouco mais de 100 dias, uma unidade da Farma e Farma Popular, que encerrou as atividades após um impasse com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (Iphae) em razão das exigências para adequação da fachada do prédio tombado.
Na época, a instalação da identidade visual da farmácia motivou uma denúncia ao Ministério Público, que determinou a remoção da estrutura por não atender às diretrizes de preservação previstas para o Centro Histórico de Bagé. Embora um novo projeto de fachada tenha sido posteriormente aprovado pelo Iphae, os proprietários alegaram que a retirada da identificação reduziu drasticamente a visibilidade do estabelecimento, tornando a operação inviável. Agora, o casarão inicia um novo capítulo, desta vez voltado à educação e à cultura.

