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Região

Candiota pode transformar cinzas do carvão em fonte de terras raras, aponta Sema

Em 04/08/2026 às 08:50h

por Melissa Louçan

Candiota pode transformar cinzas do carvão em fonte de terras raras, aponta Sema | Região | Jornal Minuano | O jornal que Bagé gosta de ler
Além da mineração, terras raras podem vir de subprodutos Foto: ArquivoJM

As cinzas produzidas pela queima de carvão mineral em Candiota podem se tornar uma nova fonte de elementos terras raras, minerais considerados estratégicos para a indústria de alta tecnologia. Embora a possibilidade ainda dependa de estudos de viabilidade técnica e econômica, a Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema) confirmou à reportagem que acompanha pesquisas sobre o tema e já incluiu a discussão em um grupo de trabalho voltado à economia circular na mineração.

Embora normalmente sejam obtidas por meio da mineração, as terras raras também podem ser recuperadas de subprodutos industriais. É essa possibilidade que vem sendo estudada no Rio Grande do Sul, onde pesquisadores avaliam a extração dos elementos presentes nas cinzas produzidas pela queima do carvão em Candiota. 

Segundo a Sema, a Portaria nº 149, publicada em 15 de julho deste ano, instituiu um grupo de trabalho responsável por discutir alternativas para ampliar o aproveitamento dos produtos e subprodutos da mineração. Entre os temas em análise está justamente a recuperação de terras raras presentes nas cinzas do carvão.

De acordo com a secretaria, pesquisas apontam que a concentração desses elementos no carvão é inferior à encontrada em outros tipos de depósitos minerais. Ainda assim, o aproveitamento das cinzas pode ser uma alternativa promissora, já que o material é gerado em grande quantidade e já está disponível como subproduto da geração de energia, dispensando a abertura de novas áreas de mineração.

Apesar do potencial, a pasta ressalta que ainda são necessários estudos mais aprofundados para confirmar a viabilidade econômica da tecnologia. Caso a recuperação das terras raras se mostre economicamente viável, a atividade deverá passar pelo processo de licenciamento ambiental.

Segundo a Sema, uma das possibilidades é utilizar as cinzas armazenadas nos silos das usinas termelétricas após a queima do carvão. Nesse cenário, não seria necessária a abertura de escavações, mas haveria a necessidade de instalação de unidades industriais para processar o material, além da elaboração de Estudos e Relatórios de Impacto Ambiental (EIA/Rima).

Outra alternativa em avaliação é o aproveitamento das cinzas depositadas nas minas de carvão a céu aberto em operação no Estado, que atualmente recebem o excedente não utilizado pela indústria cimenteira. Nesse caso, seriam necessárias adequações nas licenças ambientais já existentes. Além do potencial econômico, a secretaria avalia que o reaproveitamento das cinzas pode trazer ganhos ambientais.

Atualmente, parte desse material já é utilizada como matéria-prima na fabricação de cimento Portland. Segundo a Sema, ampliar as possibilidades de uso das cinzas reduz a necessidade de exploração de novas jazidas para obtenção de insumos industriais, diminuindo impactos da mineração, emissões de gases de efeito estufa e custos de produção.

Na avaliação do órgão, a recuperação de terras raras também pode representar uma nova perspectiva para Candiota dentro do Plano de Transição Energética Justa voltado às regiões carboníferas do Rio Grande do Sul.

A proposta é reposicionar o carvão gaúcho não apenas como fonte de energia, mas também como fornecedor de insumos estratégicos para diferentes cadeias industriais, agregando valor aos recursos minerais existentes no Estado.

A Sema informou que mantém diálogo com universidades, instituições de pesquisa, empresas e órgãos públicos para avaliar o potencial de recuperação das terras raras presentes nas cinzas do carvão gaúcho. Em abril deste ano, representantes da secretaria participaram de um workshop promovido pela Superintendência do Rio Grande do Sul do Serviço Geológico do Brasil para discutir o tema.

Os próximos passos incluem o desenvolvimento de pesquisas específicas com as cinzas produzidas no Estado, estudos de viabilidade econômica e testes em escala industrial. Somente após essas etapas será possível avaliar a implementação efetiva da tecnologia no Rio Grande do Sul.

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