Esportes
Bagé volta ao Pedra Moura em busca de vitória para confirmar evolução na Divisão de Acesso
por Yuri Cougo Dias
O Bagé volta a jogar diante de sua torcida nesta quarta-feira, 12, às 19h, no Estádio Pedra Moura, diante do Apafut, pela quarta rodada do Gauchão A-2, a Divisão de Acesso. O empate em 1 a 1 com o Pelotas, no domingo, 9, na Boca do Lobo, deixou uma sensação ambígua no jalde-negro: pelo desempenho apresentado, ficou a impressão de que a equipe poderia ter retornado para Bagé com os três pontos; pelo contexto da competição, porém, o resultado representa um ponto importante conquistado fora de casa contra um dos líderes.
A partida em Pelotas reforçou a percepção de evolução do time comandado por Rodrigo Bandeira. Na maior parte do confronto, o Bagé conseguiu controlar as ações, dificultou a saída do adversário e criou oportunidades para vencer. A equipe chegou a abrir o placar aos 26 minutos do segundo tempo, quando o zagueiro Pedro Costa aproveitou, de cabeça, uma cobrança de escanteio de Júlio Rusch.
Rusch, aliás, tem sido um dos principais responsáveis pela mudança de comportamento da equipe desde que entrou no time na segunda rodada. Com maior capacidade de organização e participação no meio-campo, o jogador ajudou a dar outra dinâmica ao setor e teve novamente participação decisiva no gol jalde-negro. A vantagem, entretanto, durou apenas quatro minutos. Aos 30, o Pelotas aproveitou uma bola parada e chegou ao empate também em uma jogada aérea, com o zagueiro Jeder. O resultado encerrou a partida em 1 a 1 e alimentou a leitura de que o Bagé deixou escapar dois pontos.
Para o técnico Rodrigo Bandeira, essa foi justamente a sensação imediata após o jogo. O treinador, no entanto, pondera que o empate precisa ser analisado dentro de um cenário mais amplo. Jogar na Boca do Lobo contra um adversário que iniciou a rodada na liderança não é uma tarefa simples, e pontuar fora de casa faz parte da estratégia de uma equipe que pretende avançar à fase eliminatória. “Fiquei bem satisfeito pelo desempenho, pelo que a gente apresentou. Acho que, por boa parte do jogo, tivemos o controle da partida e boas situações para trazer uma vitória. O sentimento pós-jogo é que deixamos escapar dois pontos”, avalia Bandeira.
Ao mesmo tempo, o treinador considera que o resultado reforça a confiança no trabalho desenvolvido desde o início da competição. Para ele, mais importante do que o empate isoladamente foi a maneira como o Bagé se comportou diante de um adversário qualificado e em seu próprio estádio. “Jogar fora de casa contra o Pelotas nunca vai ser fácil. Trazer um empate, contra a equipe que está na liderança, é importante, porque ganhar em casa e somar pontos fora está dentro do planejamento de quem quer classificar”, destaca.
A avaliação de Bandeira passa também pela capacidade que o grupo vem demonstrando de manter um padrão de jogo mesmo diante das mudanças e das circunstâncias encontradas durante as partidas. O treinador entende que a evolução tática começa a aparecer no campo e que os atletas estão assimilando gradualmente as ideias da comissão técnica. “Estamos conseguindo manter um padrão de jogo e nos adaptar ao que encontramos. Nem sempre as coisas acontecem como queremos. Eu sempre penso que quem consegue se adaptar em um jogo de futebol tem mais chance de ter um resultado. Isso aconteceu contra o Pelotas e fiquei feliz. Acho que deixamos uma boa impressão”, afirma.
Adversário em ascensão
Se o empate em Pelotas pode ser considerado positivo pela dificuldade do confronto, a partida desta quarta-feira traz uma exigência diferente: transformar o desempenho em casa em resultado. O adversário será o Apafut, de Caxias do Sul, equipe que está disputando a Divisão de Acesso pela primeira vez em sua história.
Vice-campeão da Terceirona em 2025, o Apafut construiu sua trajetória principalmente a partir do trabalho de formação de atletas. A equipe disputou a competição estadual em 2016, quando ainda atuava em Flores da Cunha, e retornou ao futebol profissional em 2024, já representando Caxias do Sul. Em 2025, chegou à decisão e garantiu o acesso à segunda divisão gaúcha.
O clube manteve, durante o período em que esteve afastado do futebol profissional, sua atuação nas categorias de base. O Apafut chega ao confronto depois de vencer o Gaúcho, resultado que o colocou na mesma faixa de pontuação do Bagé. O saldo de gols deixa a equipe de Caxias do Sul à frente na classificação. “É uma equipe que temos que ter muito cuidado. Está na mesma pontuação que nós e tem o saldo à frente. É uma equipe que ganhou do Gaúcho agora. Vimos os jogos anteriores e encontramos uma equipe com qualidade, jogadores experientes e com muita bagagem”, analisou o treinador jalde-negro.
Entre os nomes do elenco adversário está o centroavante Marcos Paulo, que ganhou destaque com a camisa do Guarany na reta final da Copa FGF. “Não vamos jogar contra um clube que é novo no cenário. Vamos jogar contra atletas e uma comissão que têm bagagem no futebol e que certamente vão montar uma equipe competitiva para nos enfrentar”, afirmou.
Bandeira, contudo, evita tratar a partida como uma vitória obrigatória a qualquer custo. A ideia é aproveitar o bom momento sem abandonar o equilíbrio que, segundo ele, vem sendo construído pela equipe. “Sabemos que conquistar uma vitória é extremamente importante para dar um salto na tabela, mas não é de qualquer jeito. Até quarta-feira vamos analisar com calma tudo, buscar as informações do adversário e colocar a melhor equipe possível”, afirma.
Depois de uma derrota na estreia para o União Frederiquense e do empate com o Lajeadense na segunda rodada, o Bagé conseguiu buscar um resultado diante de um dos candidatos às primeiras posições. Agora, o desafio é diferente: fazer valer o mando de campo.

