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Feira do Calçadão completa 25 anos
por Redação JM
A feira livre do Calçadão de Bagé completa 25 anos de retorno ao atual espaço, consolidada como um ponto tradicional de comercialização e de encontro entre produtores e consumidores. A trajetória, porém, começou antes da instalação no Calçadão e passou por diferentes locais até chegar ao endereço que hoje é considerado estratégico pelos feirantes.
Um dos produtores que acompanha essa história é Jamil Hubner. Segundo ele, a feira funcionava inicialmente no meio da rua e, posteriormente, foi transferida para diferentes pontos. O retorno ao Calçadão ocorreu durante o primeiro mandato do então prefeito Luiz Fernando Mainardi. Desde então, o espaço passou a concentrar novamente a atividade. “Quando o prefeito Mainardi assumiu, no primeiro mandato, ele trouxe para o Calçadão”, relata Jamil, que também mantém produção própria em Bagé.
A permanência no Calçadão é considerada importante pelos feirantes, especialmente diante da perspectiva de revitalização do espaço. Jamil afirma que, até o momento, a orientação recebida é de que a feira deverá permanecer no local, mesmo que seja necessário alterar temporariamente a disposição das bancas durante as obras.
Para os produtores, a localização é diretamente relacionada ao movimento de consumidores. Jamil lembra que já houve a possibilidade de transferência da feira para a Praça Doutor Albano, mas a proposta foi vista com resistência pelos feirantes. “Tirado daqui para ali, morre todo o movimento”, afirma.
Um negócio de família
A avaliação é compartilhada por Armando Caldeira, que participa da feira desde os primeiros anos e afirma que a família está envolvida na atividade desde a fundação. Ele estima que a presença da família na feira já ultrapasse três décadas.
Armando recorda que, no início, as bancas ocupavam os dois lados da rua, com o trânsito sendo fechado durante a realização da feira. Com mudanças no espaço urbano, a atividade chegou a ser transferida para outros pontos, mas, segundo ele, não funcionou da mesma forma. “Feira é feira. Feira é o mercado mais antigo do mundo que tem. Então, é na rua”, resume.
Para Armando, o Calçadão se transformou em um ponto estratégico pela relação construída ao longo dos anos com os consumidores. “O Calçadão não tem outro lugar para substituir. Não existe outra praça que substitua”, afirma. Ele também destaca a relação cultural da população com a feira. “Nosso povo é de comprar em feira. É uma cultura nossa.”
A tradição também é familiar. De acordo com Armando, cerca de 80% da família está envolvida direta ou indiretamente com a atividade. Filhos e sobrinhos cresceram acompanhando o trabalho dos pais e tios e hoje participam da feira, garantindo a continuidade da atividade entre gerações.
A produção comercializada não é exclusivamente local. Armando explica que parte das frutas e outros produtos é adquirida de fora, enquanto verduras e legumes produzidos em Bagé são priorizados para a comercialização local. A variedade, segundo ele, é necessária para atender à procura dos consumidores.
Renovação na praça
A feira também ganhou novos integrantes ao longo dos anos. Jorge Lemos está há dois anos no Calçadão, depois de retornar a Bagé, e divide sua atividade entre as bancas e a venda pelas ruas do bairro Malafaia. Para ele, o espaço representa aproximadamente metade do trabalho realizado semanalmente.
A feira funciona às terças e sextas-feiras. “Aqui é 50% do meu trabalho”, afirma Jorge. Nos outros dois dias, ele realiza vendas nas proximidades da Unipampa, onde também mora.
Apesar do pouco tempo de participação na feira em comparação com os produtores mais antigos, Jorge considera o ponto fundamental para sua atividade. No Calçadão, ele permanece em um único local e recebe os consumidores, enquanto nas vendas pelos bairros precisa percorrer as ruas.
Jorge também avalia que a revitalização do Calçadão pode beneficiar os feirantes. Segundo ele, o espaço atualmente apresenta sinais de abandono, mas uma reforma seria positiva para produtores e consumidores. Entre as possibilidades discutidas está a aquisição de novas tendas para padronizar as estruturas utilizadas pelos feirantes, embora ele ressalte que ainda não sabe se a medida será efetivamente implementada.
Coração da Rainha prevê revitalização
O Plano de Revitalização do Centro Histórico – Coração da Rainha, elaborado pela Secretaria de Gestão, Planejamento e Captação de Recursos (Geplan) e que será implementado por meio da Coordenadoria de Gestão de Obras Privadas e Patrimônio Cultural, prevê a revitalização de praças e inclui o Calçadão no cronograma de intervenções.
O plano propõe a recuperação, valorização e dinamização do Centro Histórico por meio de uma requalificação urbana, patrimonial e econômica. Conforme o coordenador da área, Marlon Lameira, a iniciativa pretende transformar a região em um vetor de desenvolvimento para o município. Apesar das intervenções previstas, o cronograma não deve alterar a realização da feira livre no Calçadão.

