Cidade
Galponeira começa na sexta-feira em Bagé
por Melissa Louçan
Bagé volta a ser, a partir desta sexta-feira, 4, ponto de encontro para diferentes gerações da música regional. A 14ª Galponeira começa no Largo do Centro Administrativo e segue até domingo, 6, reunindo 14 composições concorrentes e uma programação de shows que atravessa diferentes momentos da música nativista e da cultura do Pampa.
Além do caráter competitivo, o festival propõe um encontro entre artistas de diferentes trajetórias e territórios. A programação reúne nomes como Gaúcho da Fronteira, Lúcio Yanel, Daniel Torres, André Teixeira, Hermanos Guedes, Thiago Reder e Fabiano Índio e Duo Salamanca, em apresentações distribuídas ao longo das três noites. A entrada é gratuita.
A primeira noite, na sexta-feira, será marcada pela presença dos artistas que representam Bagé na competição. Das 14 músicas classificadas, sete possuem pelo menos um autor natural ou residente no município, conforme determina o regulamento. Elas foram selecionadas entre 506 composições inscritas por artistas de mais de 50 municípios do Rio Grande do Sul, além de Santa Catarina e Uruguai.
O palco também receberá André Teixeira e o grupo Hermanos Guedes. Com 25 anos de trajetória na música regional, Teixeira é conhecido pela participação em festivais nativistas e possui dez álbuns gravados. Já os Hermanos Guedes representam uma nova geração ligada à tradição familiar dos Guedes, incorporando referências da cultura gaúcha, da memória guarani e da música sul-americana.
No sábado, 5, entram em cena as outras sete concorrentes. A noite terá ainda apresentações de Lúcio Yanel, Daniel Torres e da parceria entre Thiago Reder e Fabiano Índio. O argentino radicado no Brasil Lúcio Yanel é reconhecido pela trajetória como violonista, compositor, intérprete e folclorista, enquanto Daniel Torres construiu uma carreira marcada pela aproximação entre a música nativista e os repertórios latino-americanos.
A programação do sábado também reforça a proposta de aproximar diferentes linguagens da música regional. Thiago Reder e Fabiano Índio apresentam um repertório que percorre ritmos brasileiros, uruguaios e argentinos, com arranjos contemporâneos.
No domingo, 6, chega o momento mais aguardado da competição, a grande final. Das 14 músicas apresentadas nas duas noites classificatórias, dez serão escolhidas para retornar ao palco e disputar a premiação. A programação artística da noite contará ainda com o Duo Salamanca e Gaúcho da Fronteira.
Formado pelo bajeense Guilherme Collares e pelo uruguaio Julio César Froz, o Duo Salamanca traz para o festival uma trajetória construída desde os anos 1990, com repertório ligado à música regional sul-americana e premiações conquistadas nos dois lados da fronteira. Já Gaúcho da Fronteira, com mais de cinco décadas de carreira, representa uma das trajetórias mais conhecidas da música regional gaúcha.
Além das apresentações, também terá espaço para reconhecer nomes que ajudaram a construir a cultura regional. Ao longo das três noites, cinco personalidades serão homenageadas pela trajetória e contribuição à música e ao tradicionalismo.
Na sexta-feira, recebem a homenagem Zaida Valentim, pianista bageense com atuação na formação musical, e Olga Paz, reconhecida pela ligação com o tradicionalismo e conhecida como “Madrinha dos Ginetes”. No sábado, será a vez do violonista Lúcio Yanel e do intérprete Daniel Torres, ambos com trajetórias marcantes nos festivais nativistas. Já no domingo, o reconhecimento será destinado a Gaúcho da Fronteira, um dos nomes mais conhecidos da música regional brasileira.
Disputa começa antes do palco
A dimensão da competição ajuda a explicar a expectativa em torno desta edição. As 14 músicas classificadas foram escolhidas entre 506 trabalhos inscritos, número que reúne compositores de diferentes regiões, mostrando a abrangência alcançada pelo festival. Bagé, que teve 57 músicas inscritas, garantiu metade das vagas da etapa classificatória por meio do critério de participação local.
“A Galponeira é um evento de grandes proporções. É um símbolo que optamos por retomar, dando valor e dignidade”, destaca o secretário de Cultura, Zeca Brito. Ele também projeta um público de mais de 20 mil pessoas e ressalta que cerca de 300 pessoas estão envolvidas na organização do evento. “Queremos fazer tudo com excelência para sinalizar ao Estado que Bagé é terra de um dos maiores festivais nativistas do Brasil”, afirma.
Entre os ritmos presentes nas obras selecionadas estão milonga, valsa, chacarera, vaneira, chamamé, candombe e São Bento Grande de Angola. A milonga, que já havia sido o gênero predominante entre as inscrições, também aparece em maior número entre as classificadas.
Além da disputa artística, a Galponeira também terá uma premiação distribuída entre as composições e os destaques escolhidos pelo júri. Cada uma das 14 músicas classificadas recebe R$ 3,5 mil como ajuda de custo para participação no festival.
Na classificação final, a música vencedora receberá R$ 8 mil, enquanto a segunda colocada será premiada com R$ 5 mil e a terceira, com R$ 3 mil. Também serão concedidos prêmios de R$ 1 mil nas categorias Melhor Intérprete, Melhor Instrumentista, Melhor Letra, Melhor Melodia, Melhor Arranjo e Música Mais Popular, esta última definida pelo público na noite final.
Somados, os prêmios destinados às categorias da competição representam R$ 25 mil. A ajuda de custo das 14 composições, de R$ 3,5 mil cada, totaliza outros R$ 49 mil.

