Cidade
Catedral de São Sebastião será tema de percurso sobre arquitetura e memória de Bagé
por Melissa Louçan
A Catedral de São Sebastião será o ponto de partida para um percurso que pretende apresentar a história de Bagé a partir das transformações de um dos seus principais marcos arquitetônicos. A atividade ocorre no dia 10 de setembro e integra o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) “As Cicatrizes do Eterno: Palimpsesto e Intervenção Arquitetônica na Catedral de São Sebastião de Bagé”, desenvolvido por Luiz Miguel Saes, do curso de Arquitetura da Urcamp.
A proposta é percorrer as diferentes fases que contribuíram para formar a Catedral ao longo de mais de um século e meio. Construído a partir de 1862, o templo passou por diferentes etapas de obras e reformas, que modificaram sua aparência e acrescentaram novas camadas à edificação.
Para Luiz Miguel, a importância do prédio está também na relação que ele mantém com a própria formação do município. “A Catedral de São Sebastião é um marco religioso, arquitetônico, histórico e urbano de Bagé. Quando enxergamos suas torres ao longe, temos certeza de onde estamos”, explica.
O trabalho utiliza o conceito de palimpsesto, originalmente relacionado a um suporte de escrita antigo que era raspado para receber novos textos, mas que ainda preservava vestígios das inscrições anteriores. A ideia é aplicada à Catedral justamente para compreender como diferentes períodos deixaram suas marcas no edifício.
A construção que existe hoje não corresponde integralmente ao projeto concebido pelo arquiteto Giuseppe Obino. O projeto original não chegou a ser executado completamente, e a obra se estendeu por décadas. Para Luiz Miguel, essa característica permite observar na mesma edificação soluções arquitetônicas e artísticas associadas a diferentes momentos históricos.
O percurso deve abordar a primeira fase construtiva da igreja, concluída em 1878, a campanha que levou à conclusão do templo em 1907 e reformas realizadas nas décadas de 1940, 1970 e entre os anos 1990 e 2000. As intervenções alteraram significativamente a aparência da Catedral e ajudam a compreender por que a busca por uma suposta aparência “original” não é suficiente para explicar a trajetória do prédio.
As marcas do tempo também estão relacionadas a acontecimentos históricos vivenciados pela cidade. Entre eles está o Cerco de 1893, quando a Catedral chegou a ser utilizada como casa, hospital e cemitério e teve suas paredes atingidas por disparos. O episódio está na origem da expressão “cicatrizes do eterno”, inspirada em um texto de Ernesto Wayne sobre as marcas deixadas pela Revolução de 1893 no templo.
A proposta, portanto, é observar os elementos arquitetônicos não apenas como características isoladas, mas como vestígios de diferentes períodos. Torres, colunas, espaços internos e o altar-mor fazem parte de uma construção que foi sendo transformada ao mesmo tempo em que a própria cidade mudava.
“Se o visitante, ao concluir a visita, puder olhar com atenção para a arquitetura da igreja, perceber seus detalhes e entendê-los como resultado de uma história que começa com uma pequena comunidade que carregava o seu padroeiro em 1813, passa por guerras, construções e mudanças, e que hoje continua conosco no nosso compromisso de entender e preservar a Catedral, a visita terá cumprido sua finalidade”, afirma Luiz Miguel.
O percurso será realizado no dia 10 de setembro, em dois horários, às 16h e às 19h, na Catedral de São Sebastião de Bagé. A atividade é gratuita e aberta ao público, com inscrições pelo telefone (53) 99910-6559. Os participantes também receberão certificado de participação.

