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CTG 93 completa 74 anos preservando a história e renovando a tradição
por Suélen Delabari
O CTG 93 completou 74 anos na terça-feira, 9, e inicia a Semana Farroupilha de 2026 celebrando uma trajetória marcada pela preservação da cultura gaúcha, pela atuação comunitária e pela renovação de suas atividades. Fundada em 1952, a entidade chega a mais um setembro tradicionalista com uma programação que reúne nomes da música regional e novos projetos sob a patronagem de Silvio Lindner.
A agenda especial e gratuita começou na sexta-feira, 12, com o show de Lisandro Amaral. No dia 18, a programação conta com a apresentação de Catherine Vernes. Já no dia 19, sobem ao palco André Teixeira e Marcelinho Nunes. Os espetáculos foram viabilizados por meio da Lei Rouanet e representam uma das conquistas da entidade, ofertar cultura e tradição acessível a comunidade bageense.
Uma história que começou em 1952
A história do CTG 93 começou em 9 de setembro de 1952, no antigo Clube Recreativo de Bagé. A entidade surgiu em um período de expansão do movimento tradicionalista no Rio Grande do Sul e se tornou o primeiro Centro de Tradições Gaúchas fundado em Bagé e o segundo do Estado.
Entre os nomes ligados à criação da entidade estão Aristides Milano e outras lideranças locais. O advogado Jaime da Silva Tavares foi o primeiro dirigente da entidade, permanecendo por duas gestões consecutivas.
A primeira ata de fundação acabou se perdendo, mas registros relacionados às reuniões realizadas no Clube Recreativo ajudam a preservar parte da história dos primeiros anos do CTG.
O 93 que carrega a história de Bagé
O nome escolhido para a entidade tem relação direta com a história de Bagé. O número 93 faz referência à Revolução Federalista de 1893, conflito que teve a região como um dos principais cenários.
Na época da fundação, havia entre os integrantes pessoas ligadas a famílias identificadas com diferentes lados políticos do conflito, entre federalistas e republicanos. Para evitar que a escolha de um personagem histórico pudesse representar apenas um dos grupos, João Paes Vieira sugeriu que a entidade fosse identificada pelo ano da Revolução Federalista.
A proposta foi aprovada por unanimidade e deu origem ao nome que permanece até hoje.
Da primeira sede à Dário Brossard
O CTG 93 também mudou de endereço ao longo de sua trajetória. As primeiras atividades foram realizadas no Clube Recreativo, de onde também partiu uma das primeiras cavalgadas da entidade.
A atual sede, na Avenida Dário Brossard, foi formada a partir da aquisição de diferentes áreas. A primeira delas foi comprada em 1959. Novas áreas foram incorporadas em 1973 e 1980, formando o espaço utilizado atualmente.
A sede passou a concentrar atividades sociais, culturais e campeiras, acompanhando a expansão da entidade ao longo das décadas.
Símbolos que contam uma história
A identidade do CTG 93 também está representada em sua bandeira. O símbolo foi criado pelo desenhista Áttila Sá Siqueira e reúne elementos associados à história e aos costumes do gaúcho.
A cuia e a bomba representam a hospitalidade. A adaga remete ao passado guerreiro e à defesa da fronteira. Já o mango está relacionado à atividade econômica. Os elementos aparecem acompanhados das cores da bandeira do Rio Grande do Sul.
Mais do que símbolos visuais, os elementos ajudam a contar a relação da entidade com a história regional e com os valores que orientaram sua criação.
Memória preservada
A preocupação com a preservação da própria história ganhou um novo capítulo em 2022, quando o CTG 93 entregou seu acervo documental ao Arquivo Público Municipal de Bagé.
Livros de atas e outros documentos relacionados à trajetória da entidade passaram a integrar o acervo público. A medida contribuiu para preservar registros que ajudam a compreender não apenas a história do CTG, mas também parte da evolução do tradicionalismo e da própria comunidade bageense.
Uma nova geração para manter a tradição
Se a memória é um dos pilares do CTG 93, a formação de novas gerações aparece como uma das estratégias para garantir a continuidade da entidade.
Nos últimos anos, o CTG manteve iniciativas voltadas ao público infantil e juvenil, incluindo atividades de dança e concursos culturais. A criação de uma invernadinha mirim também passou a aproximar crianças pequenas das manifestações tradicionalistas.
A proposta é fazer com que a tradição não permaneça restrita às gerações que ajudaram a construir a história da entidade, mas continue sendo transmitida para quem dará sequência ao trabalho.
Semana Farroupilha 2026 com grandes nomes
É nesse contexto de preservação e renovação que o CTG 93 chega à Semana Farroupilha deste ano. A programação especial inclui três noites de shows viabilizados por meio da Lei Rouanet. Apresentações grauitas mediante a lotação do espaço.
Lisandro Amaral abre a agenda nesta sexta-feira, 12. No dia 18, Catherine Vernes será a atração. No dia 19, a programação reúne André Teixeira e Marcelinho Nunes.
Para a atual patronagem, a realização dos shows representa uma conquista para a entidade e amplia a programação cultural oferecida durante o período mais importante do calendário tradicionalista.
Um novo capítulo aos 74 anos
Ao completar 74 anos, o CTG 93 carrega uma história construída por diferentes gerações e marcada por uma identidade própria dentro do tradicionalismo. Da fundação no Clube Recreativo à atual sede na Dário Brossard, a entidade passou por transformações sem abandonar os símbolos e valores que marcaram sua origem.
Agora, sob a patronagem de Silvio Lindner, o desafio é conciliar a preservação dessa memória com a necessidade de manter o CTG ativo, atrativo para as novas gerações e conectado às manifestações culturais do presente.
A Semana Farroupilha de 2026 surge, assim, como mais um capítulo dessa trajetória. Aos 74 anos, o CTG 93 não apenas revisita o passado, mas segue construindo a história que será lembrada nas próximas décadas.

