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Documentário Mãos à Terra conquista prêmio em festival internacional no México
Produção dirigida pelo bajeense Sérgio Guidoux foi reconhecida como Melhor Longa-Metragem na categoria Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável
por Márlon Castro Posqui
O documentário Mãos à Terra, dirigido pelo bajeense Sérgio Guidoux, conquistou o prêmio de Melhor Longa-Metragem na categoria Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável no XIV Encuentro Hispanoamericano de Cine y Video Documental Independiente Contra el Silencio Todas las Voces, realizado no México. A premiação foi anunciada ao final da programação, que ocorreu entre 4 e 12 de setembro, na Cidade do México e em outras localidades mexicanas.
A produção integrou uma seleção de 164 documentários de 25 países, em uma edição que reuniu obras dedicadas a diferentes questões sociais e contemporâneas. Para Guidoux, o reconhecimento representa um momento significativo após sete anos de pesquisa, filmagem e produção. “Foi muito emocionante. Para mim, esse reconhecimento confirma a potência e o alcance da história que escolhemos contar e dá um sentido muito especial aos sete anos de pesquisa, filmagem e produção que dedicamos ao filme”, afirma.
História de uma feira
O documentário acompanha a trajetória da Feira dos Agricultores Ecologistas, realizada aos sábados em Porto Alegre desde 1989 e considerada a primeira feira de agricultura ecológica da América Latina. A relação de Guidoux e da equipe com o espaço foi o ponto de partida para a produção.
A convivência com agricultores e consumidores levou os realizadores a perceberem que, apesar da importância da feira, sua história ainda era pouco conhecida. As pesquisas e gravações começaram em 2018, quando o espaço se aproximava dos 30 anos de atividade. “Comprar diretamente de quem produz, conhecer essas pessoas e entender suas práticas de cuidado com a terra e com as pessoas é uma experiência muito rica, que transforma a nossa própria relação com a alimentação e o consumo”, explica o diretor.
Ao longo da pesquisa, o filme passou a abordar não apenas a feira, mas a construção coletiva de alternativas a um modelo de agricultura considerado pelos realizadores como predatório. Agricultores, consumidores, ambientalistas, agrônomos, religiosos e diferentes movimentos participaram desse processo ao longo das décadas. “A história da feira mostra como diferentes pessoas, coletivos e movimentos, no campo e na cidade, foram capazes de construir alternativas diante de um modelo de agricultura predatório que vinha se impondo”, afirma.
A produção também envolveu uma extensa pesquisa por imagens de arquivo. No início, a equipe encontrou dificuldades para localizar registros audiovisuais da história da feira. Anos depois, porém, descobriu um acervo com dezenas de fitas VHS produzidas por pessoas que participaram daquele processo. O material acabou se tornando parte importante do documentário. Antes de ser digitalizado, precisou passar por um processo de recuperação, incluindo a limpeza das fitas que apresentavam mofo.
A conquista no México amplia a circulação internacional de Mãos à Terra. O documentário já passou por diferentes espaços no Brasil e no exterior, incluindo exibições em uma cooperativa de agricultoras no interior da Bahia, escolas rurais do Rio Grande do Sul e da Argentina, assentamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), além de festivais e mostras na Itália.
Em Bagé, a produção foi exibida neste ano como convidada do Festival Internacional de Cinema da Fronteira. Para o diretor, apresentar o filme na região teve um significado particular pela relação do território com a agricultura e com as questões abordadas na obra.
A circulação de Mãos à Terra continua após o reconhecimento no México. A equipe mantém a participação em festivais e mostras de cinema e também desenvolve uma distribuição comunitária, com sessões em escolas, universidades, encontros de agricultores e cineclubes.

