Carlos Telles - O herói do Cerco de Bagé
Carlos Maria da Silva Teles foi um dos mais importantes militares na história de Bagé e do Brasil. Nasceu em Porto Alegre, em 31 de outubro de 1848. Entrou para o exército em 23 de junho de 1865, com apenas 17 anos. Após isso, seguiu para a Guerra do Paraguai, onde se juntou aos seus irmãos, entre eles o General João Telles.
Participou de diversas batalhas, entre elas a da Guerra do Chaco, a Manobra de Piquissiri e a Dezembrada, que rematou com a entrada do exército em Assunção. Terminada a Guerra do Paraguai, voltou para o Rio Grande do Sul. Esteve na revolta dos Muckers no Rio Grande do Sul, e em campanhas militares no Mato Grosso e Amazonas, onde apoiou a Proclamação da República. Foi promovido major em 7 de janeiro de 1890, servindo na guarnição de Sergipe e depois sendo transferido para o batalhão de Infantaria em Ouro Preto, Minas Gerais. Em 21 de março de 1891, foi promovido a Tenente-Coronel.
De volta à terra natal, defendeu Bagé dos ataques revolucionários de Joca Tavares na Revolução Federalista de 1893, no chamado Cerco de Bagé, onde ficou sitiado na Catedral da igreja de São Sebastião, em frente à Praça da Matriz, resistindo bravamente aos ataques dos federalistas durante 47 dias de Cerco. Esse episódio é considerado o maior cerco militar da história do Exército Brasileiro.
Mais tarde, participou da Guerra de Canudos, onde enfrentou os soldados de Antônio Conselheiro, saindo-se vitorioso. Euclides da Cunha em seu relato da Guerra de Canudos, destaca Carlos Telles como extraordinário e bravo herói rio-grandense, citando suas conquistas e sua resistência militar entre a praça e a catedral no próprio Cerco de Bagé.
Após a Guerra de Canudos foi promovido a General do exército brasileiro, sendo condecorado Cavaleiro das Ordens de Cristo, da Rosa e de Aviz e recebendo as medalhas de mérito militar, comemorativa de Uruguaiana, do Paraguai, com passador de Prata e da Argentina com o passador de ouro.
Na administração do intendente Coronel Antônio Xavier de Azambuja, a Praça da Matriz, passou a ser chamada "Praça Carlos Telles", ficando assim perpetuada o seu nome na história por sua brava resistência no Cerco de Bagé.
Em 1950, o exército brasileiro ofertou a cidade de Bagé um busto do General Telles que foi colocado na praça que leva o seu nome.
Carlos Telles faleceu em Bagé no dia 7 de setembro de 1899, com 51 anos de idade. Era dia das comemorações da independência do Brasil e se faziam 10 anos da proclamação da república.
Referências
-Lopes, Mario. Bagé: Fatos e Personalidades. Porto Alegre:Evangraf, 2007
-Fagundes, Elisabeth Macedo de. Inventario Cultural de Bagé, 2012

