Do presente ao baú: o futebol amador que faz história
Por sugestão de um estimado leitor, a Coluna Gol de Placa abre o baú da memória para reencontrar personagens, clubes e histórias que ajudaram a construir o apaixonante futebol amador de Bagé.
Recentemente, recebi um e-mail do estimado amigo e Irmão, Dr. José Carlos Teixeira Giorgis, o querido Dr. Juca, dizendo-se leitor da nossa Coluna Gol de Placa. Para mim, confesso, é motivo de enorme orgulho saber que pessoas tão importantes e identificadas com a história de nossa cidade acompanham aquilo que escrevemos sobre o esporte bajeense.
Em sua mensagem, Dr. Juca fez uma sugestão que imediatamente acolhi com muito carinho: que a coluna pudesse, sempre que possível, destacar o futebol amador dos nossos dias e, ao mesmo tempo, abrir o baú para relembrar o futebol amador de outrora.
E assim nasce uma nova proposta dentro da Gol de Placa: olhar para o presente, sem jamais esquecer o passado.
Real Stand campeão
Começamos pelo futebol de hoje. No último domingo, 6 de setembro, o Real Stand conquistou o título do primeiro turno do Campeonato Bajeense Sênior 35 – Taça de Ouro, ao derrotar por 3 a 0 o tradicional São Martin.
Uma conquista que merece registro e reconhecimento. Afinal, o futebol amador continua vivo, reunindo atletas, dirigentes, familiares e torcedores em torno de uma paixão que atravessa gerações.
São homens que, muitas vezes, dividem a rotina de trabalho e família com a dedicação ao futebol, entrando em campo não apenas pela vitória, mas pelo prazer de vestir uma camisa, defender suas cores e estar entre amigos. E se o futebol de hoje merece ser valorizado, o futebol de ontem merece ser lembrado.
Então, vamos abrir o nosso baú...
Deu Gente Bem no clássico
Entre os muitos jornais e recortes, encontrei uma matéria publicada pelo Jornal Minuano, na edição de 2 de agosto de 2005. A manchete dizia: “Deu Gente Bem no clássico – Gol de Pedro Zico decidiu o jogo.” Era o confronto entre dois invictos. De um lado, a tradicional Associação Atlética Gente Bem; do outro, o Nacional. E foi o Gente Bem quem levou a melhor: 1 a 0, em uma partida decidida na bola parada. O gol foi marcado por Pedro Zico, em uma cobrança de falta perfeita, sem qualquer possibilidade de defesa para o goleiro Iraque. Naquela tarde, o Gente Bem, comandado pelo saudoso Dr. Celmar Ferreira, entrou em campo com: Bugre (in memoriam), Etchevérry, Pedro Zico, Lê e Tico-Tico; Djalma, Luiz Nei, Genil e Aíta; Fico e Jorge Vágner. Ao longo da partida, entrou ainda Glênio Vasques (in memoriam). Nomes que, para muitos, podem representar apenas uma escalação antiga. Para quem viveu aquele futebol, entretanto, cada nome carrega uma história, uma amizade, uma lembrança e, quem sabe, uma infinidade de finais de semana vividos à beira de um campo. Alguns continuam entre nós. Outros já partiram, deixando saudade. Mas todos permanecem vivos na memória daqueles que tiveram o privilégio de acompanhar aquele futebol.
A matéria do Jornal Minuano teve a colaboração de Alípio, do Clube Aimoré, outro nome que também faz parte da história do nosso futebol amador.
O futebol passa, a memória fica
Talvez seja justamente essa a grande riqueza do futebol amador de Bagé. Hoje, comemoramos o título do Real Stand. Amanhã, outras equipes escreverão seus nomes na história. E daqui a alguns anos, certamente alguém abrirá um velho jornal, encontrará uma fotografia ou um recorte e lembrará daqueles que, entraram em campo movidos simplesmente pelo amor à camisa. Porque o futebol amador nunca foi apenas resultado. Foi amizade, rivalidade, família, encontro, comunidade e, acima de tudo, paixão. Foi o abraço depois de um gol, a provocação entre amigos, a conversa antes da partida, o churrasco depois do jogo e aquela velha discussão sobre quem jogou mais bola. É também por isso que preservar a memória do nosso futebol é preservar um pouco da própria história de Bagé.
Por isso, a partir de agora, sempre que possível, a Gol de Placa vai caminhar entre o presente e o passado. Vamos falar dos campeonatos de hoje, valorizar aqueles que continuam fazendo o futebol acontecer, mas também vamos abrir o baú para reencontrar clubes, jogadores, dirigentes, treinadores e personagens que ajudaram a construir a história do esporte bajeense.
Porque quem ama o futebol não esquece seus ídolos, suas camisas e suas histórias. E Bagé tem muitas histórias para contar. Que venham os novos campeões. Que sejam celebrados os craques de hoje. Mas que jamais sejam esquecidos os craques de ontem. Afinal, o futebol passa, as camisas mudam, os jogadores se despedem... mas a paixão permanece. E enquanto houver alguém disposto a abrir o baú da memória, o futebol de Bagé continuará vivendo.
Fraterno abraço e votos de abençoado final de semana∴

