Minuano Conecta
Entre memórias, vozes e resistências
por Redação JM
Esta edição do caderno Conecta, do jornal Minuano, propõe um olhar direto sobre diferentes formas de produção cultural e social que seguem em movimento, mesmo diante de ausências, desafios e transformações.
A reportagem de capa parte de um elemento aparentemente simples, o livro usado, para tratar de acesso, memória e circulação de ideias. Em Bagé, o fechamento de um sebo tradicional não representou o fim desse universo, mas o início de novas formas de encontro entre leitores e literatura. Iniciativas independentes mostram que há público, interesse e, sobretudo, uma demanda por caminhos mais acessíveis à leitura, especialmente em um cenário marcado pela concorrência das telas e pelas limitações econômicas.
Esse mesmo movimento de permanência, apesar das lacunas estruturais, aparece na trajetória de quem construiu o teatro local. A história de Sapiran Brito, revisitada a partir de sua atuação e de um documentário recente, evidencia um dado persistente: Bagé mantém viva sua produção artística mesmo sem um espaço adequado para as artes cênicas. A ausência de um teatro municipal, mais do que simbólica, impacta diretamente a formação, a profissionalização e a economia cultural da cidade.
A edição também apresenta trajetórias individuais que dialogam com o coletivo. É o caso de Jussara Hockmuller Carpes, cuja atuação política e cultural se entrelaça com a defesa do patrimônio histórico e com uma visão de cidade que valoriza memória e pertencimento. Sua história reforça a ideia de que políticas públicas e experiências pessoais caminham juntas na construção de uma identidade local.
No campo histórico, o resgate de educadoras e escritoras que desafiaram os limites impostos às mulheres no passado amplia o debate sobre protagonismo e permanência. Suas vozes, muitas vezes invisibilizadas, ajudaram a abrir espaços que hoje seguem em disputa, mostrando que transformação social também se constrói pela palavra.
A produção cultural contemporânea também marca presença, com a trajetória da banda Exequator, que representa a resistência e a continuidade da cena musical autoral em Bagé. Em paralelo, a cobertura de um caso de grande repercussão judicial traz à tona reflexões sobre responsabilidade coletiva, redes de proteção e os limites da atuação institucional diante da violência.

