Segurança
Delegado diz que vídeos de tortura contra crianças eram vendidos pela internet
por Rochele Barbosa
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira, 2, a Operação Contra Barbariem para investigar crimes de tortura contra crianças e maus-tratos a animais. Foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão e nove mandados de prisão preventiva, expedidos pela 2ª Vara Criminal da Comarca de Bagé. Os nove investigados foram presos em diferentes bairros e também na região central de Bagé. Seis foram recolhidos ao PRB e um foi preso em Canoas. Dois solados do Exército foram presos. Além da investigação criminal, estes militares estão sofrendo processo administrativo. Todos são homens com menos de 30 anos.
De acordo com o delegado federal Ronaldo Reis, a maioria das crianças vítimas é parente dos próprios suspeitos. As investigações apontam ainda que vídeos das agressões eram comercializados por meio de aplicativos de mensagens. Em apenas um celular, a Polícia Federal encontrou mais de 80 vídeos. As investigações apontam que uma das crianças ficou quatro horas sob tortura. Até o momento, os compradores do material não foram identificados, e a investigação continua.
Em uma das situações apuradas, a vítima seria filha de um dos suspeitos. Ainda segundo Ronaldo Reis, cada investigado possuía um padrão de gravação dos vídeos e que existem elementos indicando a comercialização desse material na internet, por meio de aplicativos de mensagens.
O delegado também esclarece que nenhuma criança foi retirada do convívio familiar durante a operação. De acordo com ele, não foram encontrados indícios de participação ou conivência dos pais ou responsáveis legais com as práticas investigadas, razão pela qual todas permaneceram sob os cuidados de suas famílias.
A Operação Contra Barbariem cumpriu 12 mandados de busca e apreensão e nove mandados de prisão preventiva, expedidos pela 2ª Vara Criminal da Comarca de Bagé. As ordens judiciais foram executadas nos municípios de Bagé, Candiota e Canoas.
Segundo a Polícia Federal, a ação tem como objetivo interromper a continuidade dos crimes, identificar outras possíveis vítimas e reunir provas para esclarecer a dinâmica dos fatos e a eventual comercialização dos registros audiovisuais.
As investigações apontam indícios de reiterados episódios de violência física e psicológica praticados contra vítimas em situação de vulnerabilidade, incluindo bebês, crianças e animais domésticos. Parte dos crimes teria ocorrido em Bagé e sido registrada e compartilhada por meios digitais.

