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Saúde

Mudanças de temperatura exigem atenção com a saúde respiratória

Alternância entre dias abafados e períodos de temperaturas mais baixas pode irritar as vias respiratórias e intensificar sintomas. Especialista fala sobre os cuidados que ajudam a proteger a mucosa nasal.

Em 05/09/2026 às 10:18h
Miquéli Romero

por Miquéli Romero

Mudanças de temperatura exigem atenção com a saúde respiratória | Saúde | Jornal Minuano | O jornal que Bagé gosta de ler
A otorrinolaringologista doutora Laura Schmitt, as mudanças de temperatura podem provocar uma resposta da mucosa nasal mesmo quando não existe uma infecção respira

A alternância entre dias de tempo abafado e períodos de temperaturas mais baixas tem marcado o clima das últimas semanas. A mudança nas condições meteorológicas também pode ser percebida pelo organismo, especialmente pelas vias respiratórias. Espirros, coriza, congestão nasal, tosse e irritação na garganta podem aparecer ou se intensificar nesses períodos.

De acordo com a otorrinolaringologista doutora Laura Schmitt, as mudanças de temperatura podem provocar uma resposta da mucosa nasal mesmo quando não existe uma infecção respiratória. “O nariz precisa adaptar constantemente o ar que respiramos, aquecendo e umidificando o ar antes que ele chegue às vias respiratórias inferiores”, explica a médica.

Quando há contato com o ar frio e seco, por exemplo, a mucosa pode ficar mais ressecada e sensibilizada. Essa alteração estimula células de defesa e terminações nervosas presentes no nariz, desencadeando sintomas como espirros, coriza e congestão. “Esse mecanismo pode acontecer mesmo em pessoas que não possuem alergia”, reforça Laura.

Rinite e alergias podem intensificar os sintomas

Quem já apresenta rinite alérgica, sinusite ou asma pode perceber os efeitos das mudanças de temperatura de forma mais intensa. Isso acontece porque essas pessoas possuem vias respiratórias mais sensíveis e reativas, que podem responder de maneira exagerada a estímulos como frio, poeira e alterações na umidade do ar.

“Por isso, em períodos de oscilação das temperaturas, é comum que sintomas que estavam controlados voltem a aparecer ou se intensifiquem”, explica a otorrinolaringologista.

Cuidados ajudam a proteger a mucosa

Mesmo com temperaturas mais baixas, a hidratação continua sendo importante. Como a sensação de sede pode diminuir no frio, é comum que as pessoas reduzam o consumo de água. “Manter uma boa hidratação, porém, contribui para que as mucosas permaneçam úmidas e exerçam adequadamente sua função de proteção”, orienta Laura.

A lavagem nasal com soro fisiológico também é uma medida simples que pode auxiliar na higiene da mucosa, na remoção de secreções e alérgenos e na melhora da respiração nasal.

Outro cuidado é evitar, sempre que possível, mudanças muito abruptas entre ambientes com temperaturas diferentes. Em dias frios, proteger o nariz e a boca ao sair para ambientes externos pode reduzir o contato direto com o ar frio.

Também é importante manter os ambientes ventilados. Durante os períodos de frio, a tendência é manter portas e janelas fechadas por mais tempo, o que favorece o acúmulo de poeira, mofo e outros agentes que podem irritar as vias respiratórias, além de facilitar a circulação de vírus em locais fechados.

No caso do ar-condicionado, a orientação é evitar que o aparelho seja direcionado diretamente para o rosto e procurar não estabelecer uma diferença muito grande entre a temperatura do ambiente interno e a externa.

Nem tudo deve ser atribuído à mudança de tempo

Embora a variação de temperatura possa desencadear ou piorar sintomas respiratórios, é importante não atribuir automaticamente qualquer manifestação à mudança do clima.

“Reduzir a ingestão de água, manter os ambientes completamente fechados e ignorar sintomas persistentes estão entre os cuidados que merecem atenção”, alerta a especialista.

Quando sintomas como tosse, congestão, coriza ou irritação persistirem, forem intensos ou vierem acompanhados de outros sinais, a recomendação é buscar avaliação profissional. “A mudança de temperatura pode ser um gatilho, mas não deve ser utilizada como explicação para todos os quadros respiratórios”, finaliza Laura.

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