Saúde
A partir dos 40 anos, o corpo da mulher pede bem mais do que uma dieta
por Viviane Becker
Ana Paula Narvaz
Nutricionista
CRN-2:10714
A partir dos 40 anos, algumas mudanças relacionadas ao processo natural de envelhecimento começam a se tornar mais perceptíveis no corpo da mulher. A composição corporal muda, alterações hormonais começam a aparecer, a tendência à perda de massa muscular aumenta e a saúde óssea passa a exigir ainda mais atenção.
Por isso, a partir desse período, o olhar para o corpo feminino precisa ser mais amplo. O objetivo não pode ser simplesmente pesar menos, mas buscar uma composição corporal e uma condição física que favoreçam a saúde e a funcionalidade.
Isso não significa ignorar o excesso de peso, que, claro, merece atenção. Significa colocá-lo no lugar certo: ele é uma parte da avaliação, não a medida inteira da saúde.
Durante décadas, fomos acostumadas a olhar para o corpo feminino principalmente pelo tamanho do manequim e pelo número na balança. Pouco se falou sobre aquilo que a balança não mostra: força e capacidade funcional.
Nesse contexto, muitas mulheres chegam aos 40 ou 50 anos depois de longos anos de dietas restritivas.
Cortar grupos alimentares, pular refeições, comer cada vez menos e passar longos períodos em restrição alimentar pode ter feito parte da vida de muitas delas, a ponto de parecer algo natural.
Enquanto somos jovens, algumas consequências de uma alimentação inadequada podem passar despercebidas. Com o passar dos anos, porém, adequação nutricional se torna cada vez mais importante.
É nesse período que muitas mulheres começam a perceber mudanças mais acentuadas no próprio corpo: cansaço, alterações no sono, irritabilidade, dificuldade para controlar o peso, mudanças no funcionamento intestinal e aumento da gordura abdominal. Alguns desses sintomas podem estar relacionados ao climatério, mas não devem ser automaticamente atribuídos aos hormônios. Estresse, sono insuficiente, sedentarismo, alimentação inadequada, medicamentos e outras condições também podem estar envolvidos.
Se, nessa fase, o único objetivo for perder peso e a estratégia se resumir simplesmente a comer menos, a saúde pode acabar pagando o preço, já que, junto com as calorias, podem ser reduzidos também nutrientes e energia necessários para o pleno funcionamento do organismo.
O caminho, portanto, não é simplesmente reduzir calorias, mas comer melhor e de forma adequada às necessidades dessa fase da vida. Isso significa garantir proteínas, vitaminas, minerais, fibras e energia em quantidade suficiente. Mesmo quando existe uma estratégia de perda de peso, a alimentação precisa sustentar a saúde — e não apenas produzir um número menor na balança.
A partir dos 40 anos, cuidar do peso continua sendo importante, mas cuidar daquilo que sustenta o corpo é indispensável. Afinal, estamos vivendo mais. Que possamos também viver esses anos com saúde, força, mobilidade, autonomia e independência.

