MENU

Identifique-se!

Se já é assinante informe seus dados de acesso abaixo para usufruir de seu plano de assinatura. Utilize o link "Lembrar Senha" caso tenha esquecido sua senha de acesso. Lembrar sua senha
Área do Assinante | Jornal Minuano | O jornal que Bagé gosta de ler

Ainda não assina o
Minuano On-line?

Diversos planos que se encaixam nas suas necessidades e possibilidades.
Clique abaixo, conheça nossos planos e aproveite as vantagens de ler o Minuano em qualquer lugar que você esteja, na cidade, no campo, na praia ou no exterior.
CONHEÇA OS PLANOS

Colunistas

Rodrigo Tavares

  • Escritor e advogado

O mapa depende de onde você está

Em 29/05/2026 às 14:52h, por Rodrigo Tavares

Estou fazendo um curso de História chamado “História Social e Politica dos Conflitos Bélicos do Prata”, no Centro de Documentação Histórica do Rio da Prata e do Brasil. Em uma dessas aulas, estudamos os primeiros mapas da nossa região, e era notória a diferença entre eles. Os mapas portugueses empurravam o Brasil até Colônia do Sacramento no Uruguai. Já nos mapas espanhóis, o Brasil terminava pouco abaixo do Rio de Janeiro.

Isso me fez refletir sobre os mapas e sobre quem os desenha. Aquilo que eu já debatia no meu romance “Carancho” – a versão da história dos vencedores.

Então me perguntei: Será que seguimos assim?

Era uma cidade pequena. Pequena, mas dividida. De um lado, vivia gente que jurava ser vítima dos vizinhos do outro lado. E vice-versa. Cada um contava sua história. Cada um mostrava seu mapa, onde, curiosamente, o território do outro quase não existia.

Quando alguém pedia paz, ouvia:
— Claro que sim. Mas só depois que eles deixarem de existir.

Quando alguém falava em justiça, vinha o complemento:
— Mas só pra quem merece.

Engraçado como o certo e o errado mudam de acordo com onde você está no mapa.
Se joga pedra daqui, é resistência.
Se responde de lá, é opressão.
Se oprime daqui, é legítima defesa.
Se oprime de lá, é terrorismo.
Tudo depende da legenda do mapa. E quem faz a legenda, claro, é quem segura o pincel.

O curioso é que ninguém ali se achava mau.
Todos eram do bem.
Todos queriam proteger os seus, os seus ideais, os seus valores.
Só havia um problema: pra que alguém vivesse em paz, alguém teria que deixar de existir.

No fundo, é sempre assim.
É mais fácil amar um povo quando você não precisa olhar pra cada rosto.
É mais fácil defender uma causa quando ela cabe numa frase de efeito.
E é mais fácil odiar… quando o outro vira só um ponto no mapa.

No final, a cidade seguia dividida.
Cada lado com seu mapa, seu herói, seu vilão.
E a paz… essa seguia perdida.
Talvez porque, pra alguns, ela só seja possível quando não houver mais ninguém do outro lado.

O que não podemos esquecer — nem aqui, nem em lugar algum — é que, entre o rio e o mar, há gente. Gente que ama, que sonha, que vive. E o que jamais se pode permitir… é que essa gente seja simplesmente apagada do mapa.

Leia Também...
Trocar ou consertar? Ontem por Vilmar Pina Dias Júnior
O príncipe negro em Bagé Ontem por José Carlos Teixeira Giorgis
PLANTÃO 24 HORAS

(53) 9167-1673

jornal@minuano.urcamp.edu.br
SETOR COMERCIAL

(53) 3242.7693

jornal@minuano.urcamp.edu.br
CENTRAL DO ASSINANTE

(53) 3241.6377

jornal@minuano.urcamp.edu.br